Conselheiros do MJ estão em Curitiba
Curitiba - Dois representantes da Comissão Especial do Conselho de Defesa da Pessoa Humana (CDDPH) estão desde ontem em Curitiba para acompanhar o julgamento. Os conselheiros Percílio de Souza Lima Neto e Humberto Espínola acompanham todos os casos envolvendo morte de crianças em supostos rituais macabros no Paraná, Pará, Maranhão e Ceará. A intenção, segundo Lima Neto, é garantir que os julgamentos sejam realizados de forma transparente. ''A impressão que tenho é que os elementos de convicção do Ministério Público (MP) são fortes. Existe uma direção de autoria. Vamos esperar que as provas sejam apresentadas para a efetiva convicção dos jurados. O que queremos garantir é justiça. Que os responsáveis pelo crime brutal ocorrido aqui no Paraná sejam culpados e punidos'', ponderou o conselheiro.
O Ministério da Justiça (MJ) tem acompanhado todos os casos, mandando representantes. Os conselheiros estiveram presentes no julgamento dos réus Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos e Vicente de Paula - todos condenados. Lima Neto relaciona o ritual que teria ocorrido para morte de Evandro com o mesmo tipo de crime ocorrido com 21 crianças em Altamira (PA). Nos casos do Pará, a maior parte dos acusados teve condenação concluída (inclusive médicos). A suposta mentora dos crimes, Valentina Andrade, foi absolvida em um primeiro júri. Entretanto, deverá voltar para o banco dos réus.
''Onde tiver casos de violação de direitos humanos e defesa da justiça, estaremos presentes'', prometeu o conselheiro. Lima Neto acredita que os sucessivos desaparecimentos de crianças no Paraná (entre os anos de 1989 e 1993) só deixaram de acontecer após a prisão dos acusados. ''Não que eles tenham participação nos demais desaparecimentos, mas acho que a prisão deles aqui no Paraná teve efeito pedagógico. Houve uma interrupção nos casos de sequestro'', considerou.
A família de Evandro acompanhou todo o primeiro dia de julgamento, mas evitou falar com a imprensa. Cansado, Ademir Caetano - pai do garoto - disse que tem convicção de que todos os acusados são culpados. Ele não irá descansar até que todos sejam punidos. ''Estamos sofrendo muito nesses 13 anos. Mas temos certeza que está acabando agora. Queremos que todos paguem pelo mal que praticaram contra nosso filho'', afirmou ele. (L.P.)





