Conselheiro abre negócio para ajudar convidados de talk shows a sair do ar
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
por Rachel La Corte, da Associated Press (assinatura obrigatória) 
Miami (AE-AP) - Centenas de pessoas aparecem nos talk shows nos EUA, dividindo seus problemas com milhões de telespectadores. Quando os 15 minutos de fama acabam e o auditório vai para casa, o que acontece com essas pessoas que lavaram a roupa suja em público?
Jamie Huysman, um trabalhador social clínico e conselheiro, abriu um negócio para ajudar os convidados de talk shows - cujos problemas psicológicos podem ser ampliados caso tenham uma experiência negativa na televisão.
Huysman desenvolveu o AfterCare Program (Programa de Apoio) em 1991 após aparecer como especialista convidado no "The Geraldo Rivera Show". "Eu vi que o talk show da televisão era um inacreditável meio de alcançar o coração da América", disse. "Poderia ser um processo potente se você conseguir remediar o mal que carrega ou ser terrivelmente explosivo". Huysman aproximou-se do show com o objetivo de oferecer oportunidades para os convidados receberem conselho externo e Rivera concordou.
"Se os talk shows decidem em sua abordagem editorial falar de pessoas em crise, então eu acho que a televisão tem absoluta obrigação de fazer alguma coisa a respeito das crises que eles colocam no ar", disse Rivera uma vez.
Huysman criou uma rede norte-americana de hospitais, terapeutas, advogados, agências de crédito ao consumidor e outros, que oferecem seus serviços de graça em troca de algum tipo de publicidade no programa de televisão. "Descobri que um spot de 30 segundos num show nacional tem o custo aproximado de um tratamento", afirmou.
Huysman disse que não gostava da forma como os convidados de talk shows abriam suas feridas emocionais na televisão e então eram mandados para casa sem praticamente nenhum tipo de acompanhamento. "Acredito que muitos deles vão ao programas na esperança de receber alguma ajuda", diz. "Mas as expectativas tornam-se a semente do resentimento. Quaisquer que sejam seus problemas os mesmos são depois exacerbados porque passam a ser de conhecimento de toda a comunidade".
Scott Sweat foi uma dessas pessoas tratadas por Huysman. Ele pesava 340 quilos quando apareceu no show de Rivera duas vezes em 1996. Sweat buscava ajuda para seu problema no show de Rivera depois de ter sido rejeitado por inúmeras clínicas porque não tinha recursos para pagar o tratamento.
Depois de suas aparições na TV, ele recebeu assistência de conselheiros de Huysman e passou por um programa de controle de peso. Dessa forma, Sweat conseguiu reduzir seu peso para 250 quilos. "Eu não sei o que teria feito sem Huysman. Ele me manteve vivo", disse por telefone da casa de um amigo em Resaca
Georgia. "Ele olhou dentro de mim e me disse que tudo ficaria OK e realmente ficou". Antes do programa de Rivera sair do ano um ano atrás, Huysman ajudou cerca de 200 convidados e garantiu US$ 4 milhões em donativos para os programas de tratamento.
Desde o ano passado, o AfterCare Program vem trabalhando com o show "Leeza", na NBC, que paga cerca US$ 5 mil por mês pelo serviço. A equipe de Huysman treina os produtores do show para pré-selecionar os convidados. Além disso, a equipe acompanha o progresso de cada convidado e membros da família com problemas considerados potenciais após o show. Ele já ajudou cerca de 50 convidados do programa "Leeza" e assegurou US$ 50 mil em donativos para os tratamentos.
Nem todos os shows usam os serviços de Huysman, como o "The Jerry Springer Show" e o "The Jenny Jones Show". Recentemente
Huysman testemunhou contra o programa de Jones num caso judicial, dizendo que a pré-seleção deveria ter detectado o risco emocional potencial entre dois convidados homens que supostamente levou à morte de um deles.
Algumas semanas atrás, um tribunal de Michigan determinou a indenização de US$ 25 milhões à família do primeiro convidado Scott Amedure. O tribunal entendeu que o programa e seu produtor
Warner Bros, foram negligentes na morte de Amedure em 1995.
Num episódio que nunca foi ao ar, Amedure admitiu que estava atraído por Jonathan Schmitz, que tinha concordado em participar do programa para encontrar seu admirador secreto. Schmitz disse que esperava encontrar uma admiradora feminina. A acusação contra Schmitz foi revertida de assassinato em segundo grau para uma técnica; seu julgamento está marcado para a metade do ano.
Em seu testemunho, Huysman disse que encontrou-se com Jones um ano antes da tragédia para oferecer os serviços do AfterCare Programa aos convidados do show. Ele nunca recebeu uma resposta dos produtores do programa. A produção do "The Jenny Jones Show" também não respondeu às tentativas de contato da Associated Press.
Patricia Farrel, uma psicóloga de Engelwood, New Jersey, sem nenhuma ligação com Huysman ou Jones, disse que apóia a terapia para alguns convidados de talk shows. Contudo, ela não tem tanta convicção que a avaliação pré-show possa ajudar a eliminar convidados potencialmente perigosos.
"Uma seleção não é garantia de que você encontrará algo", disse. "O problema é que muitas pessoas não compreendem que possuem botões inexplorados que, se apertados, podem provocar reações que nunca sonharam. Nenhum psicólogo seria capaz de identificar isso numa entrevista ou numa seleção", completou.


