Brasília, 18 (AE) - A conselheira Lúcia Helena Salgado e Silva, que até a semana passada se considerava impedida de participar do julgamento da aquisição da fabricante de gás carbônico Liquid Carbonic pela White Martins, adiou hoje pela segunda vez a votação do processo que já dura três anos no sistema nacional de defesa da concorrência.
A operação provocou uma concentração semelhante à detida pela Brahma e pela Antarctica após as duas fabricantes de bebida se associarem para criar a Companhia de Bebidas das Américas (AmBev): cerca de 70%. Assim como no caso da AmBev, concorrentes
como a Messer, manifestaram-se contra a operação no setor de gases.
Até agora, cinco dos seis integrantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que votam neste caso manifestaram-se favoravelmente à aquisição da Liquid Carbonic pela White Martins. Mas eles estabeleceram algumas restrições.
Dentre elas, determinaram que a empresa se abstenha por seis anos de participar da disputa por novas fontes de gás carbônico na Região Sudeste e no estado do Paraná. Os conselheiros também determinaram que a White Martins deixe de utilizar cláusulas de exclusividade em seus contratos com distribuidores.
Hoje a conselheira Lúcia pediu vista do processo alegando que não teve tempo de analisar profundamente o material e fatos novos que ela não revelou quais são. Na semana passada, a conselheira suspendeu o julgamento porque afirmou que não tinha recebido cópia do relatório da operação e que por esse motivo não estava em condições de participar do julgamento.
No início da sessão, ela tinha comunicado que a partir daquela data participaria dos julgamentos de processos defendidos pelo escritório de advocacia paulistano Franceschini & Miranda, cujo assessor econômico é Edgard Pereira, ex-marido da conselheira. Na época em que estava casada com o economista, a conselheira jamais participou de julgamentos dos processos do escritório.

mockup