Rio- O secretário-geral da Interpol (polícia internacional), Robert Noble, abriu ontem o Congresso Internacional de Combate à Pirataria, no Rio, pedindo integração internacional para reprimir crimes contra a propriedade intelectual. Ele defendeu a conscientização dos consumidores de produtos falsificados, cujo comércio, segundo estimativas, deixa de criar 1,5 milhão de empregos por ano no País.
''As pessoas têm que saber que a falsificação não é um crime sem vítimas'', argumentou Noble, em entrevista coletiva. Ele disse que a região da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Paraguai) configura um ponto crítico, mas ressaltou que o problema não é mais preocupante na América Latina do que no resto do mundo. ''O Brasil tem demonstrado cooperação'', elogiou.
Noble citou cigarros, softwares, CDs e DVDs como os principais alvos dos falsificadores e citou o aumento de casos de medicamentos falsificados. Estimativas da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD) mostram que o Brasil é responsável por quase 10% da pirataria de todo o mundo na área fonográfica. No caso dos programas de computador, estima-se que 61% dos softwares vendidos no País são falsificados.
Luiz Paulo Barreto, secretário-executivo do Ministério da Justiça e presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, disse haver evidências de que a pirataria está ligada ao tráfico de drogas e armas. Ele informou ainda que um grupo foi criado para estudar mudanças na legislação atual e que a Secretaria Nacional de Segurança Pública criou um programa para incentivar os governos estaduais a criar delegacias especializadas.

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