Dimitri do Valle
De Curitiba
O conceito de direitos humanos mudou. Para a coordenadora dos Direitos da Cidadania da Secretaria de Justiça do Estado, Elizabeth Bettega, falar no tema é abordar também questões do cotidiano da população carente. ‘‘Antes os direitos humanos eram uma questão macro. Hoje é diferente: os direitos representam a luta das pessoas para conseguir uma documentação ou buscar informações que possam ajudar num assunto jurídico’’, comenta.
Elizabeth acha que a população está mais consciente sobre os seus direitos. ‘‘O que notamos é que a população está entendendo que os direitos humanos também representam a luta pela busca da cidadania no dia-dia’’, observa. O Fórum Paranaense de Direitos Humanos e Cidadania, que congrega várias entidades de classe no Paraná, divulgou ontem um balanço sobre ‘‘violações dos direitos humanos nos conflitos agrários’’ no Estado entre 1997 e 99.
Segundo relatório do Fórum, ocorreram nos dois últimos anos 14 assassinatos de agricultores sem-terra, 20 tentativas de assassinatos, 34 ameaças de morte, 267 prisões, 54 agressões físicas, 5 agricultores torturados, 87 despejos, incluindo o da praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico, em Curitiba, no dia 27 de novembro.
Márcia do Rocio Santos, que é integrante do Fórum, diz que falta vontade política do governo do Estado para implementar um plano de direitos humanos. ‘‘O governo praticamente engavetou a proposta pois é a polícia quem resolve o problema social no Estado’’, diz.

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