Londrina - ''Foi muito mais do que imaginávamos.''. A frase do presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transsexuais, Toni Reis, resume o sentimento dos ativistas em relação ao reconhecimento do direito da união estável entre casais do mesmo sexo aprovado na noite de quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal.
Segundo Reis, a decisão do STF é uma conquista histórica e superou as expectativas do grupo. ''Nos surpreendemos com a unanimidade dos ministros. Este é um grande passo para nós. Eles cumpriram a Constituição, que diz que todos somos iguais perante a lei'', afirmou.
Em meio a tanta comemoração, ele destacou que o grupo ainda mantém outras lutas. ''Esperamos agora que o Congresso Nacional tome esse mesmo norte e aprove o casamento civil e a criminalização da homofobia. Assim nós seremos considerados cidadãos da mesma classe e não de classes diferentes. Estamos felizes, mas queremos mais. Não queremos restrição nenhuma'', acrescentou Reis. Em várias pesquisas, afirma o ativista, a homofobia é apontada como principal motivação de assassinatos de gays.
Por conta da decisão do STF, o Brasil foi destaque em vários jornais de referência no mundo. ''Não foi um discurso fácil, foi filosófico. Estamos orgulhosos'', disse.
De acordo com o advogado Jedson Augusto Vicente, a decisão dos ministros proporciona igualdade de direitos. Isso siginifica que os casais homoafetivos passam a ser regidos pelas mesmas normas que os heterossexuais que vivem em união estável. ''Com essa possibilidade eles passam a desfrutar de direitos como pensões alimentícias e previdenciárias, aposentadorias e inclusão em planos de saúde'', explicou.
Vicente acredita que a partir de agora os homossexuais estão mais próximos de conquistar o direito ao casamento civil. Até o momento, segundo ele, o Poder Legislativo não havia se manifestado em relação aos direitos homossexuais por medo de que o Judiciário declarasse qualquer decisão inconstitucional. ''A partir desta manifestação favorável o Legislativo vai regulamentar uma série de questões, inclusive o casamento. Sem dúvida esse julgamento vai abrir novos rumos no País'', completou.

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