Conjunto quer mudar imagem
Marcos Zanatta
De Maringá
Um grupo de moradores do Conjunto Santa Felicidade, formado a partir de um projeto de desfavelamento de Maringá, querem a liberação da venda das casas. A medida, explica o presidente da associação de moradores, Januário Mendes dos Santos, será a forma mais rápida de mudar a imagem do bairro.
Será mais um passo em busca do fim da discriminação contra os moradores, que não conseguem empregos por causa da fama do conjunto. O Santa Felicidade mudou muito nos últimos anos, mas as pessoas ainda têm preconceito contra a gente, diz Santos.
Implantado há mais de 10 anos para acabar com as favelas, o Santa Felicidade tem apenas quatro ruas, mas são 246 casas e mais de 500 famílias. Muitos terrenos abrigam até duas casas. Pelo menos 50% dos imóveis, segundo Santos, apresentam algum problema com pagamento das prestações.
Os moradores inadimplentes concordam em vender a casa, mas a prefeitura não libera, lamenta. Ele lembra ainda que o bairro mudou muito nos últimos cinco ou seis anos. Santos concorda que, no início, a violência no bairro era muito grande
Como o conjunto foi formado basicamente por famílias carentes, que moravam em condições de risco e sem chances de trabalho, acabou virando refúgio de desocupados. O bairro ficou visado pela polícia, que sempre encontrava marginais aqui e isso acabou afugentando os marginais, garante Santos. O poder público também colaborou com a melhoria.
Primeiro retirou as lagoas de esgoto que ficavam ao lado do conjunto e depois instalou uma escola e uma creche. Por último, todas as ruas foram pavimentadas. Há cinco anos, vereadores e secretários municipais desenvolvem programas para mudar a imagem do Santa Felicidade.
Além de projetos para a profissionalização e desenvolvimento humano dos moradores, existe a sugestão de mudar o nome do bairro, que passaria a ser denominado Jardim das Rosas. Não adianta mudar o nome porque o preconceito vai continuar, entende Santos.
Ele explica que se a prefeitura liberar a venda das casas, novos moradores vão investir nos imóveis, melhorando a imagem do local. Meu vizinho reformou a casa e gastou R$ 20 mil, mas está arrependido. Santos acredita que existem interessados nos imóveis porque o bairro fica próximo ao centro.
Quando o Santa Felicidade foi formado era considerado longe. Hoje, a cidade cresceu e aqui é um local valorizado. Em média, a prestação das casas não passa de R$ 20,00. Mesmo assim, muitos moradores estão inadimplentes por até mais de cinco anos. Tem casas sem água porque a família não consegue emprego e nem dinheiro para pagar a conta, lamenta Santos.
Ele garante ainda que os interessados em vender a casa poderiam usar o dinheiro para comprar imóvel em outro local. A assessoria jurídica da prefeitura disse que está estudando a proposta de liberar o comércio das casas mas, por enquanto, não há nenhum posicionamento.





