Congresso vê conspiração contra família
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de outubro de 1997
Agência Estado Rio 
As posições mais conservadoras da Igreja Católica sobre casamento e contracepção foram defendidas com vigor pelo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Lucas Moreira Neves, em palestra no Congresso Teológico-Pastoral, encerrado ontem. Longamente aplaudido de pé pelos 2.500 congressistas de 76 países reunidos no Riocentro - entre eles 12 cardeais e 476 bispos -, dom Lucas afirmou que tão irresponsável como ter filhos pelo puro jogo dos instintos é não ter os filhos que poderiam levar o casal à maior plenitude humana.
O documento final do encontro, divulgado no fim da tarde, ratificou a tese de que há uma conspiração internacional contra a família liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e organizações não-governamentais (ONGs). Temos testemunhado uma guerra contra a família, tanto no plano nacional como internacional (...). Nesta década, em conferências das Nações Unidas, têm sido vistas tentativas para desconstruir a família, diz a carta.
O papa João Paulo 2º não pronunciou a palavra aborto ontem ao falar no encerramento do Congresso Teológico-Pastoral, no Riocentro. Mas fez uma veemente defesa da vida, em todas as fases da sua existência. E qualificou as pessoas que atentam contra ela de forças desagregadoras do mal. O tema principal do discurso, para 2.500 pessoas, foi a família. Para o chefe da Igreja Católica, é em torno dela e da defesa da vida que se trava hoje o combate fundamental da dignidade do homem.
O papa afirmou que o crescente distanciamento da sociedade das doutrinas religiosas está obscurecendo no coração dos homens alguns de seus valores mais importantes, como o casamento indissolúvel, a fidelidade entre marido e mulher, a criação de filhos. A fidelidade conjugal e o respeito pela vida, em todas as fases de sua existência, estão subvertidos por uma cultura que não admite a transcedência do homem criado à imagem e semelhança de Deus, disse.
O pronunciamento, o segundo desta visita ao Rio, enfatizou a importância que João Paulo 2º dá à questão da família. Para ele, o sucesso do trabalho de evangelização no futuro e o próprio destino da humanidade dependem da recuperação dos valores familiares. Tais valores, segundo o pontífice, não se chocam com as idéias existentes hoje sobre o desenvolvimento social das pessoas. Pelo contrário, a instituição familiar, em sua forma tradicional, à semelhança da família de Nazaré, é o âmbito privilegiado para fazer crescer todas as potencialidades pessoais e sociais que o homem leva inscritas no seu ser.
No discurso, ele citou documentos elaborados anteriormente a respeito do assunto, não só em seu pontificado como no de papas anteriores. Procurou mostrar que durante toda sua existência o catolicismo teve na família uma das suas razões de existir. O homem é a via da Igreja, e a família é a expressão primordial dessa via, disse João Paulo 2º.
O papa conclamou os corpos eclesiástico e leigo da Igreja a se esforçarem cada vez mais no trabalho com as famílias. A Pastoral Familiar exige uma esmerada preparação e estruturas ágeis e adequadas nas conferências episcopais, disse.


