Congresso vai determinar permanência de Ovídio no governo
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domingo, 25 de julho de 1999
Por Tânia Monteiro, Liege Albuquerque e César Felício 
Brasília, 26 (AE) - O secretário de Políticas Urbanas, Ovídio de ¶ngelis, ganhou uma sobrevida de pelo menos 48 horas no governo. Hoje, o porta-voz do Planalto, Georges Lamazire, disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso considerou "satisfatórias" as explicações apresentadas por Ovídio de ¶ngelis sobre a liberação de recursos em favor de Goiás e que ele vai permanecer no cargo. "É definitivo", afirmou o porta-voz, esclarecendo, no entanto, que na nesta quarta-feira Ovídio de ¶ngelis estará no Congresso repetindo as informações que transmitiu ao presidente e que reiterou terem sido "bem fundamentadas".
A situação de Ovídio ainda é considerada delicada por auxiliares de Fernando Henrique. Eles entendem que esta decisão contraria a linha anunciada pelo presidente ao promover a reforma aministerial. Mas, oficialmente, todos esses auxiliares fazem questão de assegurar que Ovídio de ¶ngelis conseguiu reverter a situação com suas explicações, que permanecerá na Secretaria de Políticas Urbanas e que o caso está encerrado.
Hoje à tarde, a cúpula do PMDB anunciava que o partido absorveria bem a saída de Ovídio de ¶ngelis, desde que o seu substituto fosse peemedebista. Começava a lançar até mesmo o nome do ex-governador Moreira Franco, atual assessor especial do presidente Fernando Henrique, para substituir Ovídio no cargo.
O partido, entretanto, fazia uma exigência: que Ovídio de ¶ngelis não seja execrado como aconteceu com o ex-ministro das Conunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e o ex-diretor da Polícia Federal, João Baptista Campelo. Ambos foram mantidos no cargo pelo presidente Fernando Henrique em um determinado dia mas acabaram sendo demitidos depois de se saírem mal em suas explicações no Congresso. Os peemedebistas pediam hoje que Fernando Henrique agisse rápido neste caso e que só deixasse Ovídio de ¶ngelis ir ao Congresso se estivesse confirmado na secretaria.
Na conversa com Fernando Henrique, que durou pelo menos meia hora, Ovídio de ¶ngelis disse que dos R$ 500 milhões de orçamento da Secretaria de Políticas Regionais, metade do orçamento é carimbada, ou seja, sua destinação é previamente destinada. Da outra metade, Ovídio informou ao presidente que usou apenas parte dela, ou seja, R$ 50 milhões, para destinar ao seu estado, Goiás.
Amanhã (27) deverá ser votado no Congresso o requerimento para que o secretário nomeado de Políticas Urbanas, Ovídio de ¶ngelis, explique aos parlamentares as razões para ter liberado, nos últimos cinco dias em que esteve à frente da secretaria de Políticas Regionais, R$ 32,2 milhões para prefeituras do Estado de Goiás - seu reduto eleitoral - e apenas R$ 17,3 milhões para municípios de outras regiões.
De acordo com alguns membros da comissão representativa no Congresso, a expectativa é que o requerimento seja aprovado. O requerimento de convocação foi apresentado pelo deputado Geraldo Magela (PT-DF) na terça-feira passada.
Hoje, o PT, que apresentou a denúncia, distribuiu nota repudiando a decisão de Fernando Henrique de manter Ovídio de ¶ngelis no cargo. "Se o secretário não for substituído, vai ficar muito ruim para a imagem do presidente Fernando Henrique, já que a repercussão da denúncia foi amplamente divulgada", disse o deputado Magela. "Vai parecer que é prática comum em seu governo os ministros favorecerem os Estados de origem". O PT deve terminar ainda esta semana um levantamento sobre como foi empregada a verba da secretaria de Políticas Regionais no ano passado.
Segundo o senador Geraldo Melo (PSDB-RN), presidente da comissão representativa do Congresso, amanhã (27) Ovídio deve ir levar "alguns documentos" para ele, antes do requerimento entrar em votação. Para o senador, há duas dúvidas em relação ao requerimento. "Precisamos verificar se o secretário tem o status de ministro (se não tem, o Congresso não pode convocá-lo) além de que, no momento, ele é um cidadão comum e sequer foi nomeado para o novo cargo", explicou.


