Congresso vai debater a política de alianças
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sexta-feira, 20 de agosto de 1999
Por Gilse Guedes 
Rio, 21 (AE) - O PT vai enfrentar um velho dilema no seu 2.º Congresso, de 24 a 28 de novembro: ampliar a política de alianças com setores moderados ou manter o leque de coligações com partidos de esquerda para lançar candidaturas próprias nas eleições de 2000. Na tentativa de convencer seus pares a aprovar parâmetros para composições fora dos limites da esquerda, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, promete rasgar o verbo no encontro da sigla.
"Devemos fazer coligações de acordo com as necessidades locais", diz Lula. "Só não vale aliança com a direita". Lula tem dado aos companheiros petistas o seguinte recado: "O presidente Fernando Henrique está em situação desfavorável agora
mas isso não significa que seus eleitores passarão para os braços da oposição". Sua idéia é iniciar uma série de viagens pelo país depois da manifestação de protesto contra o governo, batizada de Marcha dos 100 Mil, que ocorrerá na quinta-feira, em Brasília. O presidente de honra do PT afirma que o objetivo das viagens será "apresentar propostas" à sociedade. Confiança - "Temos de ganhar a confiança das pessoas e há pontos capazes de unificar a oposição, a começar das eleições para as prefeituras, no ano que vem", argumenta Lula. Para ele, o PT não só pode como deve fechar alianças com "setores progressistas" do PMDB e do PSDB. Candidato à presidência do PT
o deputado Milton Temer (RJ) não concorda com o diagnóstico de que as alianças precisam ultrapassar as fronteiras da esquerda, tendo como alvo o centro.
Líder do grupo Refazendo, considerado radical, e apoiado por tendências como a Democracia Socialista, Força Socialista e Articulação de Esquerda, Milton é taxativo: "A política aliancista não tem identidade, basta ver o caso do Rio". Um dos críticos mais veementes do casamento entre o PT e o PDT do governador do Rio, Anthony Garotinho, Milton tem um diagnóstico sobre a participação do seu partido na administração do Estado. "O PT fica atrás das propostas de seus parceiros, o que leva à condução de um governo personalista", diz. "As alianças não podem levar uma legenda a abrir mão de seus princípios, porque aí não há mais coligação, e sim cooptação".
O deputado José Dirceu (SP), presidente do PT há dois mandatos, prefere não entrar na polêmica. "A política de alianças e os caminhos para chegar ao governo serão discutidos no 2.º Congresso", sustenta. Dirceu afirma que não tem "nenhuma decisão" sobre concorrer a um terceiro mandato. "Não vou pleitear nada, mesmo porque isso é decorrência do debate político", alega. Além das coligações e da disputa por cargos na máquina partidária, outro assunto que deve agitar o 2.º Congresso do PT é a filiação em massa, feita às vésperas de encontros petistas.
"Afoga-se os militantes num mar de filiados despolitizados, recrutados a laço apenas para participar da escolha dos candidatos", diz um texto subscrito por integrantes da Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST) e da Articulação de Esquerda, duas tendências xiitas do PT. A vice-governadora do Rio, Benedita da Silva (PT), foi acusada de adotar essa prática para "inflar" sua candidatura à prefeitura carioca, no ano que vem. (Colaborou Vera Rosa)


