Congresso submete Fraga a teste de um mês
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Por Cláudia Carneiro 
Brasília, 03 (AE) - O economista Armínio Fraga, indicado para assumir a presidência do Banco Central exatamente na véspera do recesso parlamentar, será submetido a um período de experiência de um mês pelo comando do Congresso e seu desempenho será fundamental para que seja aprovado pelos senadores. Em conversas reservadas, senadores que frequentam o Palácio do Planalto interpretaram como tática a decisão do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), de deixar para o fim de fevereiro a sabatina de Fraga, e avaliam que, se ele não tiver um ótimo desempenho até lá, poderá nem ser sabatinado.
"O Senado terá muito mais cuidado para apreciar o nome de Fraga no momento oportuno", observa um líder ligado ao governo. Ele ponderou que a oposição será muito mais severa no questionamento a Fraga e qualquer indício de má condução do cargo - que já exerce informalmente, como assessor especial do ministro da Fazenda, Pedro Malan, será fatal para ele. "Será a mais polêmica das apreciações de nomes para o Banco Central já feitas pelo Senado", concordou um outro aliado do governo, o senador álvaro Dias (PSDB-PR).
Embora a reação dos mercados interno e externo tenha sido muito favorável ao nome de Fraga, álvaro Dias avalia que a repercussão política é muito negativa e seu custo ainda não é mensurável. "Sem dúvida, o governo vacilou, porque o perfil de Francisco Lopes (demitido segunda-feira da presidência do BC) era conhecido havia 15 dias", disse o tucano. Para ele, o "lado nebuloso" de Fraga, ex-assessor do megainvestidor George Soros, poderá ser um trauma maior do que imagina o governo e o sucesso de sua estada no BC dependerá também da confiança que o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro Pedro Malan depositarem nele.
Publicamente, o novo presidente do BC tem recebido elogios e manifestações de apoio de todas as lideranças aliadas ao governo
sempre com o argumento de que sua experiência como operador de câmbio será o maior trunfo para o sucesso da condução da política monetária. "Vejo com muito medo quem não conhece os dois lados do negócio, e Fraga é um extraordinário operador; tem a experiência dos dois lados", disse o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). Para ele, "Antônio Carlos (Magalhães) fez bem ao não antecipar a sabatina a Fraga".
Após a sabatina da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Fraga terá de passar pela aprovação do plenário da Casa. Foi exatamente assim que Lopes foi aprovado quinta-feira pelos senadores, quatro dias antes de ser demitido por Fernando Henrique. O senador Antônio Carlos Magalhães não considerou um constrangimento o fato de Lopes ter sido aprovado pelo Senado e afastado logo em seguida. "Se isso causa algum constrangimento, é para o governo", disse o senador.


