Congresso reage à declaração de diretor do FMI
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Rosa Costa 
Brasília, 13 (AE)- O Congresso reagiu com veemência às críticas do diretor-gerente em exercício do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer, que acusou o parlamento brasileiro de ser populista. O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse hoje que o economista mostrou que não conhece o País nem o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Para ACM, esse tipo de procedimento se ajusta aos que partem de representantes do FMI que querem levar à falência os países que recebem ajuda daquele organismo.
"O Brasil tem de andar melhor do que deseja o FMI", argumentou. "Porque o FMI adora comandar os países que muitas vezes chegam à falência", reagiu ACM. Segundo ele, Fischer não conhece o Congresso porque gosta de tratar de forma subalterna os países com os quais trabalha. "Talvez por isso ele não tenha conseguido chegar à presidência do FMI, embora tenha lutado muito para isso", afirmou.
ACM atribuiu parte do desconhecimento do diretor-gerente do fundo ao fato dele estar acostumado a lidar com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e seus auxiliares. "Por isso ele tem uma percepção do Executivo, mas não tem do governo em sí", justificou. O senador baiano insistiu que o Congresso não é populista: "Apenas defende o interesse do povo, coisa que talvez o senhor Stanley Fischer não conheça".
Políticos de oposição também reagiram as declarações do economista americano. O líder do PDT na Câmara, deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), foi ao plenário para discursar contra a posição do diretor do FMI.
"Instituições como o Banco Mundial e outras entidades, como também o PNUD, da ONU, consideram as políticas do FMI como prejudiciais" atacou. "Há sete anos que os funcionários públicos no País não têm reajustes salariais, porque o governo segue a política neoliberal do FMI", acrescentou o deputado carioca.
"Agora vem o senhor Fischer dizer que somos populistas; sua posição é extremamente ignorante", conclui Teixeira. O líder do PT na Câmara, deputado Aloízio Mercadante (SP), também criticou Stanley Fischer. "Democracia, para o FMI, é ser subserviente ao cassino financeiro global", afirmou. "Nós já conhecíamos o FMI dos anos 80, que impunha uma política contrária aos interesses da população". (Colaboraram Milton da Rocha Filho e Cida Fontes)


