Congresso em BH debate a doação de orgãos no País
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terça-feira, 06 de abril de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 07 (AE) - A atual estrutura do Sistema Nacional de Transplantes, criado no ano passado, e novas estratégias de conscientização da população sobre as doações são alguns dos principais temas do VI Congresso da Associação Brasileira de Transplantes de àrgãos (ABTO), que começou hoje e vai até sábado, em Belo Horizonte. Segundo o nefrologista Geraldo Magela Medeiros de Paula, secretário do congresso, embora o País esteja "muito bem no aspecto científico dos transplantes", com a utilização de técnias cirúrgicas e medicamentos de última geração, a relação entre doadores e receptores continua deixando a desejar.
"Em 1998, embora tenhamos registrado um aumento de 20% no número de transplantes no Brasil, a quantidade de doadores por habitantes continuou muito baixa: três para cada milhão, 20% do que poderíamos ter", diz o médico. "Nos Estados Unidos, o índice é de 20 por milhão de habitantes e na Espanha é de 27", acrescentou. Segundo ele, é necessário ampliar os debates sobre o tema com a população, "para que ela perca o medo de que haja uma comercialização de órgãos", assinalou. "O ideal é que, havendo uma morte cerebral, a família do paciente não tenha qualquer dúvida sobre as doações e os critérios de destinação, exclusivamente relacionados às características imunológicas do receptor", afirmou.
No congresso, do qual participam 600 médicos, 15 deles do exterior, haverá debates sobre a recente implantação do Sistema Nacional de Transplantes, para agilizar tanto a captação quanto a destinação de órgãos. O encontro de Belo Horizonte também marca o lançamento no País de três novas drogas, de laboratórios diferentes, utilizadas para combater a rejeição dos pacientes aos órgãos transplantados: Prograf, Simulect e Zenapax. As duas últimas reduzem a praticamente zero os efeitos colaterais, comuns nesse tipo de tratamento.


