Washington, 11 (AE) Atolado num conflito na Europa cujos desdobramentos aparentemente não previu e sem poder oferecer garantias sobre o desfecho da campanha de bombardeios aéreos contra a Iugoslávia, o presidente Bill Clinton terá que se preocupar a partir de amanhã com mais uma frente de batalha na guerra que iniciou, com o apoio da aliança atlântica, contra o regime do presidente sérvio, Slobodan Milosevic: o Congresso dos Estados Unidos.
O retorno dos deputados e senadores americanos de duas semanas de recesso parlamentar pode complicar os esforços de Washington para reverter o enorme fiasco inicial da operação punitiva contra Milosevic - cujo objetivo principal era proteger a população de origem muçulmana da província sérvia de Kosovo - e produzir um sucesso militar e uma solução aceitável, em termos políticos e diplomáticos.
O debate, que recolocou abruptamente a política externa no centro das preocupações americanas depois de um longo hiato, terá como pano de fundo a campanha presidencial do ano que vem, o que deve condicionar os cálculos de democratas e republicanos.
Os adversários de Clinton, por exemplo, acreditam que o erro grosseiro de cálculo que a Casa Branca fez sobre a duração possível do conflito, prevendo que Milosevic entregaria os pontos num par de semanas de ataques aéreos, reflete a preocupação do presidente de eleger seu vice, Albert Gore, cujas chances podem ser comprometidas se o conflito se prolongar.
Os deputados e senadores democratas e republicanos que acompanharam o secretário da Defesa, William Cohen, numa visita à sede da Otan e à base de Aviano, na semana passada, terão um peso especial no debate no Congresso.
Vários deles retornaram convencidos de que a vitória exigirá a mobilização de forças terrestres e Clinton deve começar a preparar os americanos para essa possibilidade.
O engajamento de tropas americanas em combates "deve ser debatida e votada pelo Congresso", disse o senador John McCain, republicano de Arizona e aspirante à Casa Branca.
Um ex-piloto da Marinha americana que passou anos como prisioneiro de guerra no Vietnã, McCain criticou desde o início a decisão de Clinton de descartar a participação de forças terrestres.
O senador foi também o primeiro político de expressão nacional a exortar a administração e a Otan a expandir o bombardeio e atacar alvos em Belgrado, o que aconteceu alguns dias depois. A disposição de McCain de defender publicamente posições difíceis deu novo fôlego à sua candidatura presidencial.
Na sexta-feira, ele e outros membros da comitiva que acompanhou Cohen escreveram a Clinton que "seria prudente para os EUA pedir à Otan para planejar missões militares adicionais, inclusive o uso de forças terrestres".
Os parlamentares afirmaram também que "o público precisa estar mais bem preparado para a probabilidade de os EUA sofrerem baixas" no conflito.
Fontes do Pentágono começaram a fazer exatamente isso, neste fim de semana, admitindo que a perda de alguns pilotos faz parte dos cálculos da nova fase da campanha aérea que está sendo preparada, com a participação de helicópteros Apache e aviões desenhados para atacar de altitudes que os colocam ao alcance do fogo antiaéreo dos sérvios.
Embora o drama dos refugiados de Kosovo tenha reforçado o apoio da opinião pública americana ao ataque aéreo aliado contra as forças sérvias, e mesmo a um eventual engajamento de tropas terrestres, a perspectiva de um maior envolvimento dos EUA no conflito divide o Congresso.
O secretário da Defesa, que é um ex-senador republicano, adiantou que a administração poderá pedir ao Congresso que aprove uma declaração de apoio aos ataques contra a sérvia, mas não uma declaração formal de guerra contra a Iugoslávia.

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