Quito, 01 (AE-AP) - O Congresso do Equador aprovou um pacote de reformas para acelerar a adoção do dólar dos Estados Unidos como moeda oficial. O projeto de lei, apresentado no dia 14 pelo presidente Gustavo Noboa, foi aprovado por 63 dos 123 membros do Legislativo, na terça-feira à noite, depois de um debate, que durou quase 10 horas.
Os representantes de partidos políticos de esquerda tentaram obstruir a votação ausentando do Congresso, mas a tentativa de bloquear a aprovação da lei por falta de quórum não foi bem-sucedida.
O ministro Jorge Guzmán, das Finanças, dirigiu um apelo aos equatorianos para que "não tenham receio da mudança de moeda," mas a encarem como uma alternativa para o sistema financeiro ineficiente e corrupto da nação.
"Há muitas pessoas tentando exercer influência e despertar medo, dúvidas e incertezas em relação a esse novo plano," disse Guzmán, "mas se há algo que deve aterrorizar os equatorianos é o seu passado, porque foi o passado que nos empobreceu."
O Equador recorreu ao plano de dolarização em janeiro, quando o valor do sucre entrou em queda livre virtual, após o quase-colapso do sistema bancário do país. Pesquisas mostraram que mais de 60% dos equatorianos rejeitam o plano de adoção do dólar.
Essa foi uma das questões que induziram centenas de indígenas e de jovens oficiais do Exército a ocupar o edifício vazio do Congresso, em 21 de janeiro, o que levou ao afastamento do presidente Jamil Mahuad.
Os líderes indígenas alegaram que o plano só beneficiaria os ricos. Entretanto, o líder indígena que conduziu a ocupação do Congresso, Antonio Vargas, afirmou que a questão é negociável, desde que o governo de Noboa conceda maior voz ativa aos 4 milhões de indígenas do Equador nas decisões políticas.
Noboa concordou em formar comissões integradas por ministros do governo e líderes indígenas para estudar a mudança de moeda, assim como as propostas de privatização de companhias estatais e de oferecer anistia aos oficiais do Exército que apoiaram a confusa tentativa de golpe que forçou a saída de Mahuad da presidência.
O poder foi cedido a Noboa, o vice-presidente eleito democraticamente. Noboa tem prazo de 10 dias para ratificar a lei, que estabelece um programa de 180 dias para a retirada da moeda local, o sucre, de circulação, e sua substituição pelo dólar.
Dessa forma, o país se incluirá no grupo formado pelo Panamá e mais nove países do mundo, onde o dólar dos Estados Unidos é a moeda oficial.