Terminou ontem em Londrina, o I Congresso Brasileiro de Administração dos Riscos na Saúde. Durante três dias, cerca de 300 pessoas, entre advogados, estudantes e profissionais da saúde, participaram de palestras e apresentações de trabalhos relacionados ao tema ''Evitando Processos Judiciais e Implementando Qualidade na Saúde''.
De acordo com o advogado Gilberto Baumann de Lima, presidente da Associação Brasileira de Administração dos Riscos da Saúde (Abars), que tem sede em Londrina, o congresso foi o primeiro evento do gênero realizado no Brasil. ''Mesmo com caráter nacional, tivemos estudiosos internacionais para debater as alternativas de prevenção de riscos'', explica o advogado.
''O Brasil ainda está muito atrasado nas práticas preventivas, assim como toda a América Latina e África. A prevenção é uma conquista dos países desenvolvidos'', completa Baumann. Para o advogado londrinense, um bom exemplo a ser seguido é a regulamentação do consentimento informado do paciente feita recentemente pela Comunidade Econômica Européia.
Entre os assuntos discutidos, Baumann cita o professor de Medicina e chefe do IML do Paraná Carlos Braga, que contou que a média de atendimento médio do serviço público é de apenas três minutos. Com o consentimento informado, que implica em mais tempo para ouvir o paciente, a relação entre médico e paciente melhora. ''Será uma conquista para a saúde, já que o governo terá que investir mais no setor. Hoje no Brasil, os investimentos são de cerca de 3,5% do PIB. Em alguns países, chega a 16%'', lembra Baumann.
Formada há cerca de três anos, a Abars é uma organização não-governamental (ONG) sem fins lucrativos e, segundo o presidente, segue os mesmo padrões do Canadá, Japão, Austrália e Estados Unidos. São países que se preocupam com a documentação da relação entre profissionais da saúde e pacientes. ''O Brasil não tem o hábito de escrever, documentar'', explica Baumann, que acredita que esse (documentação) seja um modo eficaz na prevenção de riscos e melhora da qualidade da saúde.

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