O futuro do jornal impresso diante das novas tecnologias digitais foi um dos principais temas do primeiro dia do 53º Congresso da Associação Mundial de Jornais (AMJ) e do 7º Fórum Mundial de Editores, iniciado ontem no Rio de Janeiro. De acordo com a avaliação dos debatedores, os jornais terão que recorrer cada vez mais a essas tecnologias para continuar competindo no mercado da informação. O segredo estará na rapidez da transmissão da informação.
ö‘‘Em cinco anos, o leitor poderá imprimir o jornal em sua própria casa’’, disse o consultor alemão öGunther Bttcher, que trabalha para 1.300 jornais do mundo. ‘‘Não é simples um download (processo de baixar textos da Internet), como ocorre hoje, mas uma conexão direta entre o usuário e os computadores do jornal’’.
Com a tecnologia existente hoje, segundo Böttcher, é possível imprimir um jornal em preto e branco de 48 páginas em três minutos. Esse processo ajudará a reduzir os custos de produção. Com a economia, segundo o consultor, novas promoções para atrair leitores poderão ser feitas, como a doação de impressoras àqueles que mantiverem assinaturas de longo prazo.
öDe acordo com Böttcher, os jornais impressos não vão sumir, mas terão de se assemelhar cada vez mais às revistas. ‘‘A criação da FM só foi possível graças à TV’’, comparou. ‘‘Em outras palavras, as rádios tiveram de buscar novas formas de tecnologias para continuar atraindo seus ouvintes’’.
A repressão foi outro tema de destaque durante o primeiro dia do congresso, que reúne cerca de 1.400 editores e diretores de todo o mundo. De acordo com relatórios apresentados no encontro, América Latina, Oriente Médio, Timor Leste e a Iugoslávia são as áreas onde existem mais restrições à liberdade de imprensa.
O presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa
(Sipa), o norte-americano Tony Peterson, disse ontem que em dez anos foram assassinados 223 profissionais latino-americanos. A situação também é ruim nos países árabes, de acordo com os relatos de Nedal Mansour, do semanário Al-Haddath, da Jordânia, e do curdo Bakhtar Amim, da Aliança dos Direitos Humanos. Amim lembrou que no Iraque 500 jornalistas foram mortos e inúmeros outros foram presos e torturados nos últimos 10 anos.

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