Congresso discute futuro do jornal
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de junho de 2000
Agência Estado Do Rio de Janeiro 
O futuro do jornal impresso diante das novas tecnologias digitais foi um dos principais temas do primeiro dia do 53º Congresso da Associação Mundial de Jornais (AMJ) e do 7º Fórum Mundial de Editores, iniciado ontem no Rio de Janeiro. De acordo com a avaliação dos debatedores, os jornais terão que recorrer cada vez mais a essas tecnologias para continuar competindo no mercado da informação. O segredo estará na rapidez da transmissão da informação.
öEm cinco anos, o leitor poderá imprimir o jornal em sua própria casa, disse o consultor alemão öGunther Bttcher, que trabalha para 1.300 jornais do mundo. Não é simples um download (processo de baixar textos da Internet), como ocorre hoje, mas uma conexão direta entre o usuário e os computadores do jornal.
Com a tecnologia existente hoje, segundo Böttcher, é possível imprimir um jornal em preto e branco de 48 páginas em três minutos. Esse processo ajudará a reduzir os custos de produção. Com a economia, segundo o consultor, novas promoções para atrair leitores poderão ser feitas, como a doação de impressoras àqueles que mantiverem assinaturas de longo prazo.
öDe acordo com Böttcher, os jornais impressos não vão sumir, mas terão de se assemelhar cada vez mais às revistas. A criação da FM só foi possível graças à TV, comparou. Em outras palavras, as rádios tiveram de buscar novas formas de tecnologias para continuar atraindo seus ouvintes.
A repressão foi outro tema de destaque durante o primeiro dia do congresso, que reúne cerca de 1.400 editores e diretores de todo o mundo. De acordo com relatórios apresentados no encontro, América Latina, Oriente Médio, Timor Leste e a Iugoslávia são as áreas onde existem mais restrições à liberdade de imprensa.
O presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa
(Sipa), o norte-americano Tony Peterson, disse ontem que em dez anos foram assassinados 223 profissionais latino-americanos. A situação também é ruim nos países árabes, de acordo com os relatos de Nedal Mansour, do semanário Al-Haddath, da Jordânia, e do curdo Bakhtar Amim, da Aliança dos Direitos Humanos. Amim lembrou que no Iraque 500 jornalistas foram mortos e inúmeros outros foram presos e torturados nos últimos 10 anos.


