Congresso debate os avanços da telemedicina
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segunda-feira, 20 de novembro de 2000
Por Líliam RaÀa Agência Estado 
A Harvard Medical International (HMI), uma subsidiária da Faculdade de Medicina de Harvard, dos Estados Unidos, promove em São Paulo no mês de dezembro, dias 1 e 2, o primeiro programa de educação continuada para profissionais de medicina fora do País. O Practi-Med 2000, em parceria com sociedades médicas brasileiras e empresas privadas, pretende unir, de pontos diferentes do globo, profissionais abalizados. E nos dias 28 e 29 de novembro será realizado o Telmed2000 - 2ª Exposição e Congresso Internacional de Telemedicina, considerado um dos maiores congressos de telemedicina do mundo.
A realização de consultas a distância e cirurgias assistidas por diversos especialistas são alguns dos benefícios da telemedicina, mas o ensino promete tirar a maior vantagem. Os generalistas, muitas vezes, não têm oportunidade de receber um treinamento atualizado, problema comum em qualquer parte do mundo, lembra Robert Crone, presidente da HMI.
A sociedade médica brasileira é considerada bem desenvolvida pelo HMI, o que justificaria sua escolha para primeira participação no programa fora das fronteiras americanas. A Harvard incluirá no programa a Inglaterra e a Suíça para os próximos anos. A medicina no Brasil é sofisticada e sua extensão geográfica também permite atingir um grande número de pessoas, afirma Crone. O projeto pretende melhorar a qualidade do atendimento primário, oferecendo aos profissionais o que existe de mais avançado no mundo.
O projeto reforça a importância da atualização do clínico-geral e o custo efetivo da telemedicina, e, consequentemente, melhorando a qualidade do atendimento para o público. O foco é que o paciente seja visto como um todo, sem ser dividido em módulos, com a visão imediata do generalista e do especialista, afirma Crone. A experiência realizada em países como Itália e Alemanha indica o sucesso da chamada segunda opinião. O programa preliminar pretende abrir-se para identificar as necessidades de cada comunidade. É importante para esse projeto de educação continuada estabelecer parcerias para resolver os problemas locais e suprir as necessidades específicas dos médicos, acentua Valdenize Tiziani, diretora regional da HMI.
O sistema da telemedicina permite a realização de consultas sem que o paciente se locomova até o consultório médico. Eletrocardiogramas já são feitos por telefone e cirurgias são assistidas pelo computador. No ano passado, uma cirurgia de desobstrução de artéria do coração, realizada no Instituto Triângulo do Coração, em Uberlâdia (MG), foi acompanhada por 200 médicos reunidos no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto. O hospital Sírio Libanês, em São Paulo, já trabalha com o sistema de segunda opinião por videoconferência. A queda do custo possibilita o armazenamento de imagens e a troca de vídeos entre profissionais, criando prontuários e históricos médicos digitalizados.
Durante dois dias estarão discutindo, através de videoconferência, os principais professores de universidades americanas e especialistas brasileiros. O corpo docente nacional já conta com a participação de nomes como Adib Jatene, ex-ministro da Saúde, Adriana Costa e Forti, da Sociedade Brasileira de Diabete, e Albert Zeitouni, presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas. Os temas abordados serão, segundo Crone, os problemas mais frequentes na saúde, como câncer, diabetes e cardiologia. Além de temas específicos, serão discutidas questões como o implemento de novas tecnologias e os desafios clínicos.
A tecnologia usada durante o Practi-Med ainda não está composta. Ainda estamos em discussão com os parceiros e tudo deve estar definido em breve, revela Valdenize. O programa tem sete anos de experiência nos Estados Unidos, com três anteriores de preparação. No Brasil está em fase de estudado há um ano, e depois de dezembro, um segundo grupo deve ser organizado para setembro de 2001. Por enquanto, não há vantagens em diminuir esse intervalo, afirma.
Discutir as tecnologias envolvidas para que a telemedicina deslanche no País é essencial para sua viabilização. No entanto, segundo Crone, o programa não visa apenas tecnologias. Justamente uma das vantagens que levaram o HMI a escolher o Brasil para o programa, a extensão geográfica, esbarra com o problema das realidades sociais destoantes. Existem, no Brasil, centros médicos com muitos recursos, mas ainda persistem regiões carentes de qualquer atendimento básico. Problemas comuns do primeiro mundo convivem com problemas típicos de subdesenvolvimento. Vamos atuar com as duas realidades, finaliza o especialista americano.


