Caracas, 28 (AE-AP) - Numa tentativa de aliviar as tensões e evitar um conflito entre os poderes, o Congresso da Venezuela decidiu sair em recesso até outubro e negociar um acordo com a Assembléia Constituinte.
Pelo mesmo motivo, alguns dos diretores dos líderes partidos de oposição renunciaram para acelerar um processo de reestruturação partidária.
A deputada Mireya Rodríguez, do partido de oposição Projeto Venezuela, disse à ASSOCIATED PRESS que a decisão do Congresso "faz parte de um acordo de convivência", mas manteve que "o conflito se dará sedo ou tarde enquanto eles quiserem dissolver o Congresso".
"A confrontação continuará porque eles insistem em dissolver o Congresso... e querem tomar decisões antes de receberem a autorização do povo", acrescentou Rodríguez.
Os congressistas tomaram a decisão de sair em férias depois de uma reunião realizada ontem com alguns dos membros eleitos da Constituinte. O constituinte Luis Miquilena expressou, à saída do encontro, que o organismo "estudará a possibilidade de um acordo com o Congresso".
No geral, entretanto, prevalece a incerteza em relação à posição que será tomada pela Assembléia Constituinte a respeito do Congresso e da Corte Suprema de Justiça. Isso porque, alguns dos constituintes que foram eleitos no domingo afirmaram que a assembléia tem poderes para dissolver de imediato todos os poderes.
A Assembléia Constituinte é dominada em 92% pelo Polo Patriótico, que é a coalizão do partido do presidente Hugo Chávez. O líder venezuelano havia assegurado que o Congresso seria dissolvido em agosto, mas afirmou no domingo que a decisão está agora nas mãos dos constituintes.

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