Congresso da CGT oficializa racha na Argentina
Congresso da CGT oficializa racha na Argentina16/Mar, 17:01 Por Ariel Palacios Buenos Aires, 16 (AE) - Um minuto de silêncio pelo general Juan Domingo Perón e sua esposa Evita Perón foi o prelúdio do congresso da Confederação Geral do Trabalho (CGT), da Argentina, que definiu nesta quinta-feira o racha na central sindical. Ali, o líder do sindicato dos caminhoneiros, Hugo Moyano, foi escolhido secretário-geral da "nova" CGT. Moyano tem o apoio dos sindicatos "rebeldes", que discordam do pacto realizado há três semanas pelo secretário-geral da CGT "antiga", Rodolfo Daer, que aceitou a reforma trabalhista do governo. A reforma, afirma Moyano, não traz soluções para os trabalhadores do país: "ela somente aumenta o desemprego e a instabilidade". Há 20 anos que a central sindical não passava por uma divisão tão profunda. Segundo analistas políticos, é um trunfo do presidente Fernando De la Rúa, que em menos de 120 dias de governo, conseguiu desarticular uma organização que poderia ser uma persistente inimiga. Moyano, que afirma controlar mais da metade dos sindicatos da CGT, disse que começa uma nova etapa para a central sindical, e que não será mais um instrumento dos governos, como foi durante a administração do ex-presidente Carlos Menem ou nos primeiros dias do governo De la Rúa. "Eles são ilegais", disparou Daer contra Moyano e seus aliados. Da mesma forma que seu inimigo, Daer também diz que controla mais da metade dos sindicatos. Oficialmente, o secretário-geral da CGT "antiga" conta com o apoio do governo: "essa cúpula sindical é a mais representativa", declarou o ministro do Trabalho, Alberto Flamarique. Daer convocou os sindicatos que o apóiam para realizar uma eleição em maio, que escolheria o novo secretario-geral de "sua" CGT. Do lado de Daer estão os sindicatos que negociaram com o governo De la Rúa, mas que possuem escassa capacidade de mobilização. Do lado de Moyano está o poderoso sindicatos dos caminhoneiros, além do sindicato de motoristas de ônibus, metalúrgicos, mecânicos e construção civil. O verdadeiro braço-de-ferro ocorrerá na terça-feira que vem, quando o grupo de Moyano pretende entrar no histórico edifício da CGT, para ali tomar posse do lugar sob os painéis que representam Evita Perón, a "mãe dos operários". Quem ostentar a sigla CGT terá acesso a centenas de milhões de dólares, e será o interlocutor oficial dos trabalhadores argentinos com o governo. Desta forma, o sindicalismo argentino poderia ficar dividido em duas CGTs, além da já existente Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), admiradora declarada da brasileira CUT e que reúne os sindicatos de funcionários públicos, professores, aposentados e desempregados. A lei de reforma trabalhista, o pivô do racha, ainda não foi aprovada: está sendo analisada no Senado, e será votada no mês que vem.





