Congresso aprova reação de Malan ao FMI
Brasília, 11 (AE) - A reação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, às críticas feitas pelo representante do FMI no Brasil, Lorenzo Perez, à emenda constitucional que cria o Fundo de Combate à Pobreza e Erradicação da Miséria foi aprovada pelo Congresso. Ao afirmar que o Fundo não compromete a estratégia macroeconômica do governo e que o FMI não tem competência para opinar sobre a alocação de gastos no País, o ministro pela primeira vez assumiu publicamente a defesa de um aumento de recursos para a área social. "A reação de Malan foi adequada", disse o senador José Eduardo Dutra (PT-SE). "O governo brasileiro em boa hora deu uma excelente resposta através do ministro da Fazenda, de modo correto e suficiente", disse o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), idealizador do Fundo de Combate à Pobreza.
A reação do ministro foi interpretada por alguns parlamentares como um sinal de que Malan pode disputar a Presidência da República em 2002. "Há algum tempo, Malan jamais faria isto, estou com a impressão que a mosca azul anda rondando a sua cabeça", afirmou Dutra. "Estamos diante de um new Malan", ironizou o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), lembrando que a fórmula de criar um fundo específico para reunir os recursos obtidos com privatizações, usar o montante em aplicações no mercado financeiro e destinar os juros obtidos para o Fundo de Combate à Pobreza, que depois de dez anos reverteria para o abate da dívida pública, foi idealizada pelo próprio Malan.
Interlocutores do presidente Fernando Henrique Cardoso, contudo, desmentem que a nota de Malan tenha sido um ato exclusivamente do ministro. "Foi uma reação do governo, e não do Malan", comentou um assessor do presidente, acrescentando que "o ministro só toma atitudes como estas depois de consultar o presidente, que não gostou do comportamento de Lorenzo Perez".
Hoje, Lorenzo Perez se recolheu. "É mais prudente não falar", afirmou, acrescentando que "o Fundo está sendo discutido pelas autoridades brasileiras e o Congresso Nacional".





