Quito, 01 (AE-DOW JONES) - O Congreso do Equador aprovou, ontem (29) à noite, a Lei de Transformação Econômica, que dá o respaldo necessário para a dolarização da economia. Dos 123 deputados presentes à sessão, 63 votaram a favor da lei, que inclui reformas das regras de privatização, do sistema financeiro e das normas para contratações de trabalhadores. A lei será entregue agora ao presidente do país, Gustavo Noboa, que tem um prazo de dez dias para aprovar as reformas ou vetá-las total ou parcialmente.
A Lei de Transformação Econômica foi elaborada pelo ex-presidente Jamil Mahuad, deposto em janeiro, mas seu sucessor
Noboa, endossou a proposta, apesar da objeção de vários grupos sociais e de alguns parlamentares de oposição. Os partidos Social Cristiano (PSC), Democracia Popular (DP), Conservador, a Frente Radical Alfarista (FRA) e vários deputados independentes respaldaram a lei, que facilita a adoção do dólar como padrão monetário do país em substituição ao sucre.
A tramitação da lei começou na semana passada com a ausência dos membros dos grupos de oposição, que não compareceram aos debates por discordarem da proposta. Diversas organizações anunciaram a convocação de protestos para tentar impedir a aplicação do novo sistema monetário.
A Coordenadoria de Movimentos Sociais (CMS) do Equador convocou uma greve para o dia 21 de março, mas deve organizar outros protestos antes dessa data. A esse grupo poderá agrupar-se a poderosa Confederación de Nacionalidades Indígenas (Conaie), que ameaçou realizar uma nova mobilização poular, ainda maior que o protesto de 21 de janeiro, que culminou na deposição de Jamil Mahuad.