Brasília, 02 (AE) - O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), endossou as declarações do ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, quanto a condução da política econômica, "em gênero, número e grau", conforme destacou. O líder do governo, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), procurou conciliar o que dizeram Carvalho e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, argumentando que "a estabilidade não é inimiga do desenvolvimento". O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse que cabe exclusivamente ao presidente Fernando Henrique Cardoso agir para unificar a linguagem de seu governo. "Não vou opinar porque senão vão dizer que eu quero derrubar um ministro ou outro".
O presidente e líder do PMDB, Jáder Barbalho (PA), tratou a disputa sobre os rumos da economia propondo ao ministro do Desenvolvimento que faça o que acha certo e que ouse, sobretudo na sua área, e aplicando os R$18 bilhões que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) numa política de agricultura e de habitação. "Poderíamos começar ousando pelo BNDES, que tem servido prioritariamente para financiar a privatização de estatais", ironizou. "Habitação e agricultura vão gerar empregos e acabar com a crescente insatisfação popular". No entender de Barbalho, é importante que as divergências dos ministros não resultem "em pirotécnias que comprometam a estabilização econômica".
Para ele, quem critica a economia atinge, sim, o presidente Fernando Henrique e não um de seus ministros. Caso contrário, seria o mesmo que admitir que quem manda no governo é o Malan ou o Clóvis Carvalho. "Vamos deixar de nhenhenhém e trabalhar", propôs. "A população não quer conversa fiada, quer soluções para seu problema".
O líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PMDB-DF), disse que o desafio do momento é manter a estabilidade e desenvolver o País. "Se o governo cuidar só da estabilidade, haverá um empate", comparou. "E a população está mostrando que não quer mais isso." Segundo ele, o que tem que ser feito é cuidar da estabilidade, mas sem que isso impeça o crescimento." "Só será possível o País desenvolver 4% ao ano, se houver ajuste fiscal". insistiu.
O presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela (AL), foi igualmente cauteloso, a ponto de ignorar qualquer tipo de divergências entre os ministros. "Eles dizeram a mesma coisa", defendeu. Teotônio defendeu que as afirmações de Clóvis Carvalho só chamaram a atenção porque ele utilizou o termo "ousadia", que na prática significaria a meta do governo de crescer 4% no ano que vem.
O deputado Inocêncio Oliveira foi mais contudente do que Clóvis Carvalho na defesa do desenvolvimento, a ponto de propor ao governo que renegocie os acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "O que não podemos é continuar a ter um País com 1,5 milhão de desempregados ao ano", justificou.
O líder do PFL disse que não iria criticar o ministro da Fazenda por um único motivo; "É que que não costumo falar mal de quem está em baixa", resumiu. Para ele, o presidente Fernando Henrique tem que agir para acabar com a atual política econômica, que entende ser recessiva.

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