Congestionamentos 'provocam' excesso de velocidade
O plano viário das cidades não comporta mais o volume de carros que transitam pelas ruas, resultando em trechos congestionados durante os horários de rush. "Os condutores se estressam e, quando conseguem sair do congestionamento, correm para tirar o atraso", avalia a psicóloga Julieta Arsênio, membro da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.
As mudanças do limite de velocidade em distâncias curtas é outro fator que, segundo ela, pode ocasionar as multas. "Nem sempre dá tempo de reduzir", afirma. Julieta alerta que o excesso de regras nem sempre causa mudanças no comportamento dos motoristas. "Quando saem de um trecho onde há fiscalização eletrônica, voltam ao comportamento inadequado. O bom motorista não precisa de fiscalização, porque conhece as regras", diz.
A psicóloga defende a implementação de projetos educacionais ao invés de apenas punir os infratores do trânsito. "Os bons condutores não são premiados e, por outro lado, há péssimos motoristas que continuam com carteira de habilitação. Se dependesse de mim, tirava a carteira de todo mundo e começava de novo", polemiza.
Eduardo Ratton, professor titular de transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), acrescenta que a falta de atenção dos motoristas aliada à sinalização equivocada nas áreas urbanas leva ao aumento da autuações. "Falta engenharia de tráfego", critica. Entre os exemplos de sinalizações que considera inadequadas, ele cita a presença de sinaleiros em cima ou embaixo de viadutos, que seriam equipamentos instalados com a finalidade de melhorar o fluxo, ao invés de parar.
O especialista questiona a imposição de limites de velocidade muito diversos, tanto nas ruas como nas estradas, argumentando que são capazes de induzir o motorista ao erro. "Pela lei, na zona urbana o limite deve ser de 40 ou 60 quilômetros por hora, mas já cheguei a ver placas definindo o limite de 35. Nas rodovias, deve ser 80 ou 110 quilômetros por hora. Outros limites são arbitrários e absurdos", opina.
Ele cita a BR-377, entre Paranaguá e Foz do Iguaçu, como exemplo de rodovia bem sinalizada. "Os limites variam de 60 km/h nos trechos urbanos, para 80 km/h perto das cidades e 110 km/h no restante dos trechos. Isso é suficiente para garantir a segurança", diz. Ele defende, também, que os locais onde há fiscalização por radares sejam sinalizados para alertar os motoristas. "Se o objetivo é educar para o trânsito, não faz sentido esconder", acredita. (C.A.)





