''Levantei cedo, e, quando vi a minha plantação, pus a mão na cabeça e falei: perdi tudo.'' Essa foi a reação do agricultor londrinense Eliel dos Santos Silva. O produtor contou que sabia que existia a possibilidade de gear, mas não imaginava que o fenômeno fosse tão intenso por já estarmos no mês de setembro. ''Congelou tudo, a abobrinha, a vagem, queimou as folhagens, perdi 70% das culturas'', lamentou, calculando seu prejuízo em pelo menos R$ 10 mil.
Silva afirmou que o preço das hortaliças deve subir nos próximos dias em decorrência do frio desta semana. ''O preço já está alto no Ceasa, e amanhã não vai ter muita mercadoria. Tem muita coisa que vai subir uns 200% pelo menos, como abobrinha, vagem e tomate'', comentou.
Na feira livre da rua São Salvador, no centro de Londrina, a reclamação dos feirantes era outra. ''Ainda não fui ver na minha propriedade como está a situação. Mas as vendas hoje devem cair, porque no frio as pessoas saem menos de casa e comem menos verdura'', analisou Nelson Araújo Bueno. A dificuldade de sair da cama às 3 horas da madrugada ele já está habituado a enfrentar. ''É o nosso ganha-pão, então a gente é obrigado a levantar.''
Para a funcionária pública Alacir Ribeiro, que trabalha à noite, o frio se enfrenta com muito agasalho, chá quente e muita coragem. Ela aproveitou o sol da manhã para encarar a limpeza da casa.
Já o comércio de roupas e calçados dividiu-se entre as lojas que trocaram as vitrines na última hora e as que mantiveram as peças leves da meia-estação, esperando que o frio não dure muito. ''Está difícil vender sandálias nesse clima'', comentou a vendedora Andrea Lopes Marcolino.
Se depender das previsões do Sistema Meteorológico do Paraná, hoje continuar difícil. Estava prevista outra geada na região para hoje. ''Mas a tendência é que este mês fique dentro da normalidade'', explicou o meteorologista Reinaldo Kneib. Segundo ele, as temperaturas devem começar a subir a partir de amanhã.

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