Durante toda a madrugada de ontem, foi grande a confusão na porta dos hospitais que receberam os feridos do desabamento na Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), em Osasco. Muita gente procurava informações sobre os parentes nas listas de feridos divulgadas nas portas dos hospitais. ‘‘Fui acordado por um vizinho que estava na igreja e, agora, estou querendo informações sobre a minha mulher, que também estava lᒒ, explicava o chapeiro Ademir dos Santos, de 40 anos, na frente do Hospital Municipal Antônio Giglio.
O taxista Elpídio Ferreira da Rocha, de 44 anos, estava trabalhando quando soube do acidente e foi até a casa para verificar se o fillho Wagner, de 18 anos, frequentador da Igreja Universal, havia retornado. ‘‘Estou trêmulo até agora’’, disse, após o localizar no Hospital Regional. O rapaz sofreu apenas uma luxação no pé direito. ‘‘Fiquei meio grogue com o impacto e, quando vi, já estavam retirando as pessoas dos escombros’’, contou, após ser atendido.
Entre os feridos, muita gente teve escoriações e cortes na cabeça, por causa do impacto dos destroços do teto destruído. ‘‘Ouvi um barulho de alguma coisa caindo e, depois de uns dez minutos, caiu tudo de uma vez’’, contou o operador de máquinas Edinaldo Gonçalves de Oliveira, de 43 anos. Ele teve alguns cortes na cabeça e teve de levar pontos. A mulher dele, que o acompanhava, não se feriu.
A auxiliar de produção Ildinei de Oliveira, de 29 anos, também ficou ferida na cabeça com o desabamento. Ainda um pouco perturbada, depois de ser atendida no Hospital das Damas, ela contou que ouviu alguns barulhos vindos do telhado antes do desabamento, mas não pôde ver o que ocorreu porque estava de olhos fechados, rezando. ‘‘Não abri os olhos, porque eu estava fazendo algo muito importante’’, justificou. Ela conseguiu sair dos escombros, com a filha de 5 anos, sem ajuda. ‘‘A primeira coisa que fiz foi passar a mão na minha cabeça, que estava sangrando.’’
Pouco depois do incidente, alguns fiéis da Universal do Reino de Deus falavam da possibilidade de o desabamento ter sido provocado por alguém. ‘‘Ouvi um barulho em cima do telhado, como se fosse de passos’’, disse a operadora de montagem Flodernícia Souza Dias, que teve ferimentos leves na cabeça. ‘‘A igreja é muito perseguida.’’
As cenas dos feridos chegando aos hospitais fez os médicos lembrarem da explosão do Osasco Plaza Shopping, há dois anos. ‘‘Desta vez, tivemos um número maior de atendimentos, mas a gravidade dos ferimentos é menor’’, comentou o diretor do Hospital Cruzeiro do Sul, Aluísio Azevedo Abrantes.
Uma explosão no Osasco Plaza Shopping matou 42 pessoas e feriu 472 em 11 de junho de 96. O acidente aconteceu às 12h16, perto da praça de alimentação. O shopping fica a menos de 100 metros da Igreja Universal do Reino de Deus, que desabou ontem. Segundo lojistas e funcionários, era comum o cheiro de gás no local. Eles disseram que fizeram várias reclamações à administração do shopping. O laudo do Instituto de Criminalística confirmou que uma série de erros na instalação de gás GLP (gás de cozinha) foi a causa da explosão. Os peritos concluíram que o vazamento aconteceu em uma tubulação de gás desativada. Hoje, há 82 processos contra o shopping e as construtoras correndo na Justiça. Em um deles, penal, o Ministério Público apresentou denúncia contra sete acusados de serem os responsáveis pela explosão.

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