Curitiba - Cento e cinquenta e seis pessoas morreram em confrontos policiais no primeiro semestre deste ano no Paraná, segundo acompanhamento do Ministério Público do Paraná (MP-PR), via análise de boletins de ocorrências encaminhados ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pelas polícias Civil, Militar, Rodoviária e Guardas Municipais. Apesar da falta de números mais detalhados sobre as ocorrências, o levantamento, de acordo com o coordenador do Gaeco e procurador de Justiça, Leonir Batisti, mostra que "o Estado Brasileiro mata por meio de seus agentes".
O MP não divulga detalhes sobre o perfil das vítimas. "Sabemos que é próximo de zero o número de mulheres mortas em confronto. E que são homens de até 35 anos e com baixo grau de instrução. Mas as demais características, como cor de pele, não constam no boletim. Porém, o padrão das descrições de confrontos com morte segue a máxima de que a equipe foi chamada para atender a ocorrência e foi recebida a tiros", informou Batisti.
Mesmo longe do ideal, o coordenador do Gaeco defende que o trabalho representa um "passo enorme" no objetivo primário do levantamento, que é distinguir enfrentamento policial de despreparo ou execução. "Visamos esclarecer se houve de fato enfrentamento, apurar excessos dos agentes e, por fim, se existiu desvio na classificação da ocorrência."
Para Batisti, os dados servem para reforçar que o Gaeco pode ser procurado em casos de desconfiança. "Cada denúncia que recebemos é encaminhada para o promotor da área, que irá investigar em que circunstâncias aquela pessoa foi morta", garantiu. O e-mail de contato do grupo é [email protected].

HISTÓRICO
Das 156 mortes, 149 foram em confrontos com policiais militares, cinco com policiais civis e dois com guardas municipais. Em 2015, o levantamento só contabilizava mortes em enfrentamentos com policiais militares, sendo que foram 131 no primeiro semestre de 2015 e 109 no segundo semestre do ano passado.

CONIVÊNCIA
Para o professor do curso de Direito da Universidade Positivo e doutorando em Criminologia, Flávio Bortolozzi Júnior, impera no País uma "conivência" com a violência policial. "Há uma permissividade social de matar e morrer em certos segmentos sociais. Isso, somado à lógica de uma polícia militarizada, que busca combater um inimigo, produz mortes e com um alvo bastante estereotipado e semelhante à população carcerária do nosso Estado e do País", disparou o professor. Procurada, a PM não se manifestou sobre o assunto.

mockup