Confrontos geram tensão em São Paulo
Das agências
Tropa de Choque da Polícia Militar usou bombas de efeito moral e balas de borracha para liberar rodovias
A Tropa de Choque e a Cavalaria da Polícia Militar entraram em confronto ontem com os caminhoneiros que bloqueavam as duas pistas da Rodovia Anhanguera, na altura do quilômetro 120, próximo ao município de Nova Odessa. Os policiais usaram bombas de gás lacrimogênio e dispararam tiros de balas de borracha para obrigar os motoristas a liberarem a estrada. A operação, iniciada por volta das 11 horas, teve momentos de tensão, e só terminou às 15 horas, com os caminhoneiros liberando o trânsito depois de dois dias de bloqueio.
Ninguém ficou ferido. Desde segunda-feira cerca de 800 caminhões estavam parados no local, ocupando as duas pistas da rodovia. Apenas uma das três faixas de cada lado estavam liberadas para a passagem de carros de passeio e cargas perecíveis. O ponto do bloqueio também ficava próximo ao entrocamento da Anhanguera com as rodovias Bandeirantes e Dom Pedro I.
A Tropa de Choque e a Cavalaria tentaram convencer os caminhoneiros a desbloquear a rodovia, mas não foram atendidos. Os policiais, então, formaram uma fileira ocupando toda a pista, e avançaram em direção aos motoristas. Os manifestantes jogando parte das cargas na pista, mas recuaram depois que o pelotão passou a lançar bombas de gás e disparar balas de borracha.
Os caminhoneiros ainda mantinham a pista fechada na altura do km 150, em Limeira, km 190, em Pirassununga, e km 227, em Porto Ferreira. A situação era mais crítica em Limeira, onde há uma praça de pedágio e o trevo de acesso à Rodovia Washington Luis.
Situação crítica foi registrada também na Dom Pedro (SP-065), onde pelo menos 800 caminhões permaneciam parados na altura do km 56, próximo a Nazaré Paulista.
Bombas de efeito moral e cassetetes também foram usados na Rodovia Castelo Branco (SP-280), na altura de Itu. O bloqueio, com interdição total da pista leste (Capital-Interior) e parcial da pista oeste (Interior-Capital) começou às 3 horas da madrugada. Durante toda a manhã, policiais rodoviários e representantes da Viaoeste, empresa concessionária da rodovia, negociaram com os manifestantes a liberação parcial da estrada para a passagem dos automóveis, caminhões com cargas vivas e perecíveis e veículos de socorro.
À tarde já havia mais de três mil caminhões parados entre os quilômetros 68 e 76 da rodovia, bloqueando totalmente a passagem.
Motoristas reclamavam da perda de leite, repolhos e outros produtos perecíveis. Muitos desviaram a rota para a Rodovia Raposo Tavares (SP-270), mas caíram em outro bloqueio, perto de São Roque.
Segundo o comando, a força foi mobilizada com o objetivo de garantir a passagem de ambulâncias e proteger os motoristas que estavam sendo coagidos a participar da manifestação. Houve confusão e correria.
Os policiais dispararam bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes. Alguns motoristas caíram e foram atingidos com golpes de cassetete. Os caminhoneiros concordaram em liberar a estrada às 15 horas.
No pedágio da Anhanguera em Ituverava (410 km de São Paulo) os caminhoneiros liberaram a passagem sem a cobrança da tarifa ontem. Cerca de 200 manifestantes, que estavam parados em Igarapava (450 km de São Paulo), avançaram rumo ao pedágio por voltadas 9h30. Mais de cem veículos passaram sem pagar pedágio por quase meia hora, até que a Vianorte, empresa que administra o trecho, fez um acordo com eles.
De acordo com a Concessionária Vianorte, os manifestantes não invadiram as cabines, nem agrediram os funcionários. O tráfego só foi normalizou por volta das 14 horas.





