Confrontos entre policiais deixam 5 feridos
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terça-feira, 24 de outubro de 2000
Angela Lacerda Agência Estado Do Recife 
Dois confrontos entre policiais militares em greve e oficiais da Polícia Militar em serviço deixaram três oficiais e um soldado da PM feridos e um civil baleado. Vinte e quatro grevistas foram presos, provocando tensão entre a população.
Este foi quadro do sexto dia da greve de cabos e soldados, em Pernambuco, um dia depois da decisão do governo de demitir 243 grevistas com menos de 10 anos de corporação e de submeter outros 75 - com mais de 10 anos de serviço - ao conselho de disciplina.
O primeiro confronto ocorreu pouco antes das 10 horas, na Avenida Agamenom Magalhães, nas imediações da sede da Secretaria de Defesa Social, no bairro de Santo Amaro. Cerca de 100 grevistas dirigindo motos faziam uma passeata e, ao passarem no local, alguns deles teriam cercado uma viatura da PM, furando o pneu do veículo, o que provocou um tiroteio.
O soldado da PM, em greve, Fernando Camilo da Silva, levou um tiro de raspão nas costas e uma bala perdida atingiu o negociante de ferro-velho Fernando Camilo dos Santos, 36 anos, que se encontrava a cerca de 100 metros do local. A bala atingiu o peito de Silva e saiu pelas suas costas. Ele foi socorrido e levado ao Hospital da Restauração, onde foi operado e está em observação.
A notícia de que um grevista havia sido baleado caiu como uma bomba sobre os cerca de mil policiais que se postavam defronte ao Palácio do Campo das Princesas - onde estão em vigília desde a noite da quinta-feira, quando a greve foi decretada. Cavaletes demarcam a área que os grevistas não podem ultrapassar, liberando a entrada do palácio.
Eram cerca de 10h15 e foi dado um tiro para cima. Testemunhas afirmam que o tiro foi dado do lado dos grevistas. Depois disso, houve tiroteio, correria, pânico e os oficiais da PM jogaram duas bombas de efeito moral. Toda a confusão não durou mais de cinco minutos.
Neste segundo campo de guerra, foram feridos um major do Corpo de Bombeiros, na perna e no braço; um capitão e um tenente. O palácio foi atingido por balas.
De acordo com o secretário especial do Governo do Estado, Edgar Moury, os grevistas motoqueiros que faziam a carreata, vinham promovendo baderna e desordem na cidade. Segundo o secretário eles chegaram a invadir o quartel do Corpo de Bombeiros. Vinte e quatro deles foram presos e encaminhados ao Centro de Reabilitação e Educação Disciplinar da PM.
O governo está irredutível e só negocia com os policiais quando eles voltarem ao trabalho.
O Diário Oficial publicou, ontem, os nomes de um total de 318 grevistas a serem punidos, sendo 75 com mais de 10 anos de corporação (61 bombeiros e 14 PM) e 243 com menos de 10 anos (144 bombeiros e 99 PMs). Estes 243 têm cinco dias para informar porque faltaram ao trabalho. Depois deste trâmite, serão demitidos sumariamente. Os outros têm direito a defesa num processo mais longo.


