São Paulo, 5 (AE) - O governador Mário Covas descartou hoje que os recentes confrontos com as peruas de lotação tenham ocorrido por omissão da Polícia Militar. E acusou o prefeito Celso Pitta de estar se eximindo da culpa pelos incidentes. Para Covas, quando a Câmara dos Vereadores limitou em 4,5 mil o número de perueiros na cidade, "a prefeitura sabia que isso ia acontecer". Mas segundo ele, apesar da prerrogativa dos vereadores, "não dá para tomar essa decisão e depois dizer, segura o rojão aí. Nós seguramos o rojão que nos compete segurar", garantiu. As declarações do governador foram feitas hoje na solenidade de entrega de veículos para reforçar o policiamento na zona leste de São Paulo. No mesmo local foi inaugurado um conjunto habitacional destinado à policiais militares.
Covas criticou as declarações de Pitta de que o problema dos perueiros é de responsabilidade da polícia militar. Para fazer o que o prefeito reclama, o governador disse que teria que colocar preventivamente um policial atrás de cada fiscal. "E depois eu seria cobrado pela falta de segurança no resto da cidade", ironizou. Apesar da polêmica, Covas descarta a possibilidade de briga política.
Para o secretário da segurança, Marco Vinício Petrelluzi
também presente à solenidade, o prefeito Celso Pitta, para se livrar de um problema, disse que a questão era policial e pediu que o Estado fizesse a guarda pessoal dos fiscais. "Nós não fazemos isso preventivamente", afirmou. "Mas todas as vezes que a Prefeitura precisar pode chamar que a PM atenderá rapidamente". Para o secretário, a tática que Pitta está utlizando é antiga, típica de quem tem pouco compromisso com "a verdade e com o povo". Para Petrelluzi, o prefeito está tentando, em ano eleitoral, envolver o governo do Estado em um problema que antes era só da Prefeitura.
Sobre a municipalização da polícia, Covas disse - também em tom irônico - que é "muito fácil, é só fazer uma mudança na constituição". "Mas aí quando o perueiro estiver sendo perseguido pela polícia municipal na divisa de São Paulo, ele pula para Guarulhos e aí não se pode ir mais lá". O governador afirmou que, enquanto a responsabilidade for do Estado, o dever será cumprido da melhor maneira possível. "De uma forma que ninguém nunca cumpriu". E alfinetou: "Quando o Maluf era governador a polícia não tinha nem balas para treinar".
Segundo Covas, a ameaça do prefeito Celso Pitta de requisitar o Exército para garantir a segurança é um "risco". Na opinião de Petrelluzi, o Exército não aceitaria essa missão pois suas lideranças têm consciência de que o efetivo não está adequado para segurança pública e sim, para a guerra.
"Não há essa necessidade que o prefeito está querendo fazer crer, nós vamos continuar garantindo a segurança", disse Petreluzzi. Em relação à tragédia que causou a morte de três perueiros ontem (4), Petreluzzi diz que o prefeito quer transformar o fato "em triunfo pessoal". "É inadmissível".
Solenidade - O governador Mário Covas entregou hoje pela manhã 41 veículos e 48 motos que reforçarão o policiamento na zona leste da cidade. A solenidade foi realizada no Condomínio Vila Primavera, em Vila Carmosina, em Itaquera, cujos 398 apartamentos também foram entregues a policiais militares. As moradias são resultado de uma parceria entre a Associação dos Cabos e Soldados da PM do Estado de São Paulo e a Caixa Econômica Federal, que já viabilizou a construção de quase dois mil apartamentos. .A previsão é de que sejam concluidas 10 mil unidades até o final do governo.

mockup