Representantes do Fórum Econômico Mundial (FEM) de Davos, na Suíça, e do Fórum Social Mundial (FSM) de Porto Alegre se enfrentaram nesse domingo em uma teleconferência, onde ambas as partes defenderam duas visões de mundo diferentes e que no momento parecem irreconciliáveis.
O especulador norte-americano George Soros, o representante da Anistia Internacional Pierre Sané, o conselheiro da ONU, John Ruggie, e o diretor do instituto Harvard para o desenvolvimento internacional, Jeffrey Sachs, opuseram seus argumentos aos de um grupo de jornalistas, agricultores e defensores dos direitos humanos.
‘‘Me chamo Georges Soros e estou interessado em reformar, não em destruir’’, se apresentou o norte-americano. ‘‘Me chamo Hebe de Bonafini, sou presidente das Mães da Praça de Maio e estou em Porto Alegre para denunciar que a dívida externa se paga com vidas’’, respondeu a militante argentina dos direitos humanos.
Em Porto Alegre se defendeu que no Fórum Social Mundial se constrói o futuro, enquanto em Davos se discute o passado. Durante a teleconferência foram mostradas imagens do Fórum de Porto Alegre e da atuação policial contra os manifestantes da cidade suíça.
‘‘Condenamos a repressão efetuada contra aqueles que protestaram em Davos. (...) Vocês vivem no planeta dos ricos e nós no dos pobres. Nós queremos salvar nosso planeta e vocês só desejam manter a hegemonia sobre ele e roubá-lo. O melhor que poderiam fazer é voltar para sua nave espacial e sair deste mundo’’, declarou Walden Bello, filipino da ONG Focus on Global South.
Mais de 4.000 representantes de 900 ONGs de quase 200 países participam do Fórum de Porto Alegre, uma iniciativa inédita que passará a ser realizada anualmente com o objetivo de protestar contra o neoliberalismo e traçar alternativas de desenvolvimento mais justas.

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