Ramilândia, PR , 19 (AE) - Sete pessoas ficaram feridas, no início da manhã de hoje, durante um tiroteio na fazenda Casa Amarela, no município de Ramilândia (extremo-oeste do Paraná). Parte da propriedade, de 206 alqueires, está ocupada há dez meses por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Segundo o MST, cinco dos sete feridos - quatro homens e uma mulher - são acampados. Os outros dois - um casal - seriam trabalhadores rurais da região que chegavam ao local com seu caminhão para buscar um grupo de oito sem-terra que eventualmente trabalha para eles.
Segundo o delegado de Ramilândia, José Luiz Seefeldt, três dos feridos seriam funcionários da fazenda. Todos os feridos permanecem internados em hospitais da região. A situação mais grave é de Darci Ramos Barros, 39 anos, que recebeu um tiro no pescoço. Os demais, atingidos em regiões não vitais do corpo, não correm risco de vida, segundo os médicos.
Há duas versões para a causa do tiroteio. De acordo com o MST, funcionários da fazenda e pistoleiros - entrincheirados na sede começaram a atirar contra os barracos dos sem-terra. Os dois nucleos são separados apenas por uma estrada. Funcionários da fazenda declararam à polícia que houve confronto entre os grupos. Por essa versão, o conflito teria sido gerado pela tentativa dos sem-terra de tomar a sede, onde moram três famílias.
Até o final da tarde de hoje, a Polícia Militar já havia apreendido quatro espingardas na sede da fazenda. Nenhuma arma foi encontrada com os sem-terra e ninguém foi preso. Cinco funcionários da fazenda foram detidos e levados a Delegacia de Matelândia, a 40 quilômetros de distância. O delegado Antono Carlos Brandão, disse que o objetivo das detenções era tomar o depoimento do grupo e "resguardar suas seguranças".
Outros cinco homens que estavam na sede da fazenda no momento do tiroteio fugiram. Eles abandonaram no local, um Santana com placas de Maringá, cidade do noroeste paranaense, onde mora o dono da fazenda, Marcos Antonio Baptista, que não foi localizado hoje. O delegado Brandão, que vai comandar o inquérito sobre o caso, afirmou que vai convocar o fazendeiro para depor. Brandão deverá ouvir ainda os feridos e cerca de dez testemunhas.

mockup