Belo Horizonte, 29 (AE) - Um confronto entre metalúrgicos e policiais militares, auxiliados por seguranças da Fiat Automóveis, deixou saldo de pelo menos 12 feridos na manhã de hoje, em um trecho da BR-381 (Fernão Dias) próximo à montadora, em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte. Sindicalistas da CUT e da Força Sindical pretendiam paralisar as atividades na Fiat por um dia, como parte da estratégia de um movimento nacional dos metalúrgicos. Eles querem fixação de piso salarial para a categoria, válido em todos os Estados, aumento de 10%, redução da jornada de trabalho e renovação do acordo do setor automobilístico, que expira no dia 30.
Por volta das 5h, cerca de mil metalúrgicos e sindicalistas, entre eles os presidentes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Paulo Marinho, e da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, concentraram-se na Fernão Dias e interromperam o tráfego na rodovia. O objetivo era interceptar os ônibus com os trabalhadores do primeiro turno da Fiat e convencê-los da necessidae de paralisação. A Polícia Militar foi acionada e, na tentativa de desimpedir a rodovia, houve o confronto. Os cerca de 200 militares, acompanhados de seguranças da Fiat, usaram bombas de gás lacrimogêneo e cacetetes para dispersar os manifestantes.
Quatro sindicalistas - Deonílio Costa, Vicente Aparecido
Jorge Pezzanine e Vanderley Mitrão - ficaram levemente feridos com estilhaços das bombas. Outros quatro PMs também teriam se machucado, segundo a corporação. Quando a situação se tranquilizou, os manifestantes seguiram para as portarias da montadora, a poucos quilômetros, e tentaram fazer novos piquetes. A Assessoria de Imprensa da Fiat informou que quatro trabalhadores foram atendidos no ambulatório da empresa, supostamente agredidos por colegas que queriam evitar que entrassem.
Marinho ficou indignado com o comportamento dos policiais, que, segundo ele, estariam recebendo ordens dos seguranças da Fiat durante a ação. "Vamos exigir uma audiência com o governador Itamar Franco para discutir essa questão", afirmou. "Ou a PM de Minas está despreparada ou mal intencionada, porque os trabalhadores não podem ser tratados assim", acrescentou. No final da manhã, a Fiat informou que a tentativa de paralisação fracassara e que a produção seguia normalmente no interior da montadora.
A empresa não aceita as reivindicações da catgeoria, alegando que qualquer decisão sobre o assunto tem que ser tomada "nacionalmente". Na unidade da Mercedes Benz em Juiz de Fora, na Zona da Mata, a situação foi diferente. Segundo a CUT, todos os operários da montadora, que fabrica o veículo Classe A, cruzaram os braços hoje. Não houve conflitos. A empresa informou que 120 veículos deixaram de ser produzidos, com prejuízo estimado em R$ 4,5 milhões.

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