Curitiba - Um tumulto marcou o início de uma manifestação de movimentos sociais ontem à tarde na BR-277, na saída de Cascavel. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) alegou que pequenos agricultores, representantes de entidades e estudantes que participaram de um evento sobre educação para a reforma agrária foram agredidos por membros da Sociedade Rural do Oeste do Paraná (SRO). A SRO, por sua vez, apontou que os sem-terra foram os responsáveis pelas agressões.
''Estávamos iniciando o ato de encerramento do encontro. Nós íamos até a fazenda da Syngenta, em Santa Tereza do Oeste (24 km ao sul de Cascavel), para comemorar a desapropriação da área e o sucesso do evento. Na saída de Cascavel, a BR-277 estava bloqueada por tratores da SRO. Descemos dos ônibus e seguimos a pé. Aí, fomos agredidos a pauladas e com pedaços de ferro pelos integrantes da SRO. Até deram tiros para o alto. Seis pessoas ficaram feridas. Éramos duas mil pessoas contra 80. A maior prova de que não tínhamos nenhuma intenção de violência é que não revidamos. Essa agressividade é o comportamento típico dos latifundiários'', disse Keno Oliveira, coordenador do MST na região.
O presidente da SRO, Alessandro Meneghel, disse que proprietários rurais colocaram tratores na rodovia para ''protestar contra as invasões de terra''. ''Não vamos mais aceitar invasões. Se o governo não cumprir as reintegrações, nós vamos fazer com as nossas próprias mãos. Cumprimos a lei, geramos riqueza, colocamos alimentos na mesa da população. Os sem-terra são uns vagabundos. Não tem um assentamento que deu certo. Eles já receberam R$ 60 bilhões do governo federal. O que fizeram com esse dinheiro?'', afirmou Meneghel, que negou que os membros da SRO tenham agredido os manifestantes.
''Eles vieram em três mil pessoas, nós estávamos em 150. Como poderíamos agredi-los? Foram eles que vieram contra nós. Tacaram paus e pedras, quebraram vidros'', disse o presidente da SRO. Oliveira e Meneghel afirmaram que iriam registrar queixa na Polícia Civil.
Ontem, a Syngenta informou que o Ministério Público Federal relatou oficialmente que a empresa atende todos os requerimentos regulamentares e legais na estação de pesquisa de Santa Tereza do Oeste. Quanto ao decreto de desapropriação da fazenda pelo Governo do Paraná, a empresa apontou que ainda está analisando as medidas que vai tomar.

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