Confronto entre PM e MST termina com duas mortes
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de abril de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Pelo menos duas pessoas morreram e outras seis ficaram feridas após um confronto entre a Polícia Militar e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) na cidade de Quedas do Iguaçu (Centro-Oeste). No final da tarde de ontem, um incêndio na área da empresa Araupel, do setor de reflorestamento, teria gerado o enfrentamento.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), os policiais foram alvo de uma emboscada enquanto tentavam auxiliar os trabalhos de combate às chamas. Duas equipes da PM e funcionários da brigada de incêndio da empresa Araupel foram surpreendidos por mais de 20 integrantes do movimento.
Conforme a Sesp, os sem-terra dispararam contra os policiais e foi necessário reagir. Após a troca de tiros, as equipes da PM apreenderam uma pistola 9 milímetros e uma espingarda calibre 12. Um helicóptero da PM foi utilizado para levar os feridos ao hospital. Nenhum policial foi atingido.
O integrante da direção estadual do MST, Diego Moreira, rebateu a versão apresentada pela Secretaria da Segurança Pública. Segundo ele, integrantes do acampamento perceberam o foco de incêndio e foram até o local para apagar as chamas. "Eles é que foram surpreendidos pela polícia e pela empresa de segurança da fazenda. Foram recebidos a tiros. Duas pessoas morreram e seis estão gravemente feridas. O local está cercado pela polícia e o pessoal não consegue nem entrar para prestar socorro", disse, no início da noite de ontem. Moreira não estava no local do conflito e soube do ocorrido por relatos das famílias acampadas.
A área é ocupada há mais de um ano por cerca de 2 mil famílias. Conforme o integrante do MST, a Justiça decretou nulo o título de propriedade da empresa e, portanto, a área teria se tornado pública e poderia ser ocupada pelo grupo. "O que aconteceu foi de extrema violência. Esperamos que a Justiça tome providências e condene quem foi responsável por essa barbárie", cobrou.
Policiais civis e militares foram convocados para reforçar o patrulhamento na cidade. Um inquérito foi aberto pela Polícia Civil para apurar o caso. Nenhum representante da empresa foi encontrado para comentar o assunto.


