Campinas, SP, 28 (AE) - Tiros e muita pancadaria causaram pânico durante o confronto entre a Guarda Municipal e um grupo de pelo menos setenta perueiros, no final da tarde de hoje, no pátio da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano), no Jardim São José, em Campinas. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas e duas foram hospitalizadas. No pátio onde ocorreu o confronto havia crianças.
Integrantes da Associação de Perueiros Autônomos de Campinas (Apac) permaneceram oito horas dentro do pátio da Emdec em protesto contra a apreensão de peruas consideradas clandestinas pela Secretaria Municipal dos Transportes (Setransp). O grupo, que vem se envolvendo em conflitos constantes com fiscais da Emdec, reivindica o direito de operar no sistema de transporte alternativo municipal, do qual já fazem parte cerca de 500 peruas.
A confusão começou às 17h45, quando os perueiros tentaram impedir a entrada de uma perua que trazia reforço para a Guarda. Os guardas reagiram e houve trocas de socos. Alguns perueiros foram agredido por guardas e continuaram apanhando mesmo após terem caído no chão. Houve correria e os guardas ordenavam aos perueiros que saíssem do local, mas os portões estavam fechados. Muita gente conseguiu pular as grades e os perueiros revidaram os golpes de cassetetes jogando pedras e pedaços de concreto.
Tiros - Houve pânico quando alguns guardas começaram a atirar. Foram pelo menos 10 minutos de tiroteio. No local, os guardas chegaram a alegar que estavam revidando. O secretário municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública, Ruyrillo Pedro de Magalhães, que chegou ao pátio somente após o tumulto, afirmou que será apurada a responsabilidade da guarda no caso. "Deverá ser aberto um inquérito policial e administrativo para saber se realmente houve abuso da Guarda Municipal", disse.
Magalhães reconheceu, no entanto, que a permanência de guardas armados neste tipo de conflito não é um procedimento adequado. "Os guardas que foram inicialmente destacados para o pátio não vieram armados, aqueles que chegaram depois e estavam fazendo o patrulhamento no Centro da cidade é que portavam armas e, chegando aqui, não tinham como deixá-las de lado", argumentou.
Durante o tiroteio, diversos veículos que estavam no pátio foram atingidos por pedradas e tiros. Após o confronto, apenas os guardas, policiais militares e funcionários da Emdec permaneceram no pátio. Do lado de fora, os perueiros tentaram invadir o local novamente várias vezes e ameaçaram retomar o protesto nesta quarta-feira. A situação só foi controlada com a chegada de reforços da Polícia Militar, por volta das 18h30.
Feridos - Ficaram feridas cinco pessoas, além de guardas municipais , entre eles a jornalista Léia Rabelo. Dois perueiros foram levados ao hospital. Roberto Vieira, da Apac, foi atingido por uma pedrada da cabeça e teve de ser levado até o Hospital Mário Gatti. Ele sofreu um corte profundo no couro cabeludo e até a noite de hoje permanecia em observação no pronto-socorro. José Carlos Santana, envolvido no tumulto, também acabou sofrendo diversas escoriações pelo corpo e foi liberado pela equipe médica do hospital. Os guardas receberam atendimento do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu).
Abusos - No local do confronto havia pelo menos 60 guardas municipais. De acordo com o capitão da PM José Aparecido de Oliveira, havia apenas oito policiais militares no local para
"evitar abusos". Após a pancadaria, o comando enviou a tropa de choque.
A secretaria de segurança obteve uma liminar judicial de reintegração de posse do pátio da Emdec, concedida pelo juiz Antônio Carlos Santoro Filho, da 3ª Vara Civil. A liminar só chegou no local após às 19 horas, quando já não havia perueiros no interior do pátio.

mockup