Confronto deixa dois milicianos mortos, dois soldados de paz feridos
Díli, 06 (AE-AP) - Dois membros das milícias pró-Indonésia morreram e dois soldados australianos ficaram levemente feridos hoje (06) no primeiro choque entre as Forças Internacionais de Paz da ONU em Timor Leste (Interfet) com esses grupos armados que não aceitam a independência do território.
O enfrentamento ocorreu a 15 quilômetros de Suaí, no sudoeste de Timor Leste, segundo o comandante da Interfet, o general australiano Peter Cosgrove. A região fica a cerca de 100 quilômetros de Díli e é a última a ser posta sob controle da Interfet.
De acordo com o relato de Cosgrove, na manhã de hoje os militares da Interfet atiraram num caminhão lotado de homens armados que tentou furar um bloqueio da Interfet. O veículo foi detido e dois milicianos que ficaram feridos foram encaminhados a um hospital militar em Díli. Os demais, depois de interrogados, foram levados a um povoado em Timor Oeste, na parte ocidental e indonésia da ilha, de onde tinham vindo.
Na volta, o comboio da Interfet foi emboscado pelas milícias, que atacaram os soldados com facas e armas de fabricação caseira. Integravam a missão australianos, neozelandezes e britânicos.
A Interfet desembarcou em Timor Leste no dia 20 para deter a onda de violência desencadeada pelas milícias depois que os timorenses votaram majoritariamente pela independência da região, em plebiscito realizado em agosto. A Indonésia invadiu a ex-colônia portuguesa de Timor Leste em 1975 e anexou-a em 1976 - ação não reconhecida pela ONU.
Na quarta-feira, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, apresentou ao Conselho de Segurança da organização um plano para conduzir a independência num prazo de dois a três anos, com início provável em dezembro.
Hoje, o bispo de Díli e Prêmio Nobel da Paz, Carlos Belo, retornou a Díli e fez um emocionado discurso na chegada à cidade. "Minha prioridade agora é ficar com o povo", declarou, ao se reunir com fiéis. O bispo deixou Timor Leste às pressas no dia 7 de setembro para escapar dos ataques das milícias contra os timorenses pró- independência. "Está pior que o inferno. Não vimos o inferno ainda, mas isto é de fato o inferno", comentou dom Belo quando viu a cidade devastada. Ele também visitou a cidade de Baucau.
Em Londres, os líderes separatistas Xanana Gusmão e José Ramos- Horta criticaram a ONU por estar sendo "muito lenta" na ajuda aos refugiados e no envio de tropas para pacificar a região.





