Rio - Em 48 horas de tiroteio quase ininterrupto, a guerra travada entre traficantes rivais das favelas de Vigário Geral e Parada de Lucas, na zona norte do Rio, pelo controle da venda de drogas, deixou 11 supostos criminosos mortos. Outras nove pessoas, sendo quatro moradores, ficaram feridas. Apavoradas, as comunidades temem novos confrontos.
O último embate começou na noite de quarta-feira. Bandidos de Vigário Geral e de outras favelas controladas pela facção criminosa Comando Vermelho (CV) invadiram Parada de Lucas, em represália à ação dos bandidos da favela, que haviam matado sete supostos traficantes, entre eles uma mulher, na madrugada de terça-feira. Parentes das vítimas, no entanto, disseram que eles não tinham ligação com o crime. Parada de Lucas é dominada pelo Terceiro Comando (TC).
Os sete corpos, que estavam desaparecidos, foram encontrados pela Polícia Rodoviária Federal, hoje de manhã, no Rio Sarapuí, às margens da rodovia BR-040, e resgatados pelo Corpo de Bombeiros.
Para a polícia, a operação teve grandes proporções porque Vigário Geral é considerado um ''ponto-chave'' para o CV, e, por isso, precisava ser defendido dos rivais do TC. Traficantes de favelas distantes, como Borel e Parque União, foram recrutados para o serviço.
A coordenadora de Inteligência da Polícia Civil, Marina Maggessy, deu outra versão para os acontecimentos. Segundo ela, houve recrutamento de criminosos de favelas dominadas pelo CV para que a região de Vigário Geral fosse protegida de uma possível invasão, mas os choques que resultaram nas mortes, na madrugada de ontem, foram entre os bandidos e a PM, e não entre facções inimigas.
Vigário Geral ficou conhecido em todo o País há dez anos, quando 21 moradores foram executados por PMs. Eles agiram por vingança quatro policiais haviam sido assasinados por traficantes na véspera. Entre os acusados, cinco policiais foram condenados, 18 absolvidos e cinco, mortos. Outros três ainda serão julgados.

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