Um confronto entre policiais militares e trabalhadores rurais sem terra deixou dez sem-terra feridos durante a invasão do prédio da Delegacia do Ministério da Fazenda ontem em Campo Grande (MS). Em protesto contra a violência, no início da tarde, cerca de 1.400 famílias bloquearam a rodovia BR-163, entre Naviraí e Itaquiraí, a cerca de 460 quilômetros de Campo Grande, principal via de ligação com o Paraná. A Polícia Rodoviária Federal improvisou dois desvios, que aumentam em cerca de cem quilômetros a distância até a divisa dos estados. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) informou que deveria suspender o bloqueio, feito com pedras e galhos de árvore, no final da tarde.
O confronto no prédio do ministério ocorreu por volta das 10 horas (horário de Brasília) de ontem. O número de feridos foi fornecido pelo MST, que invadiu o prédio com cerca de 600 pessoas. O pronto-socorro da Santa Casa diz que atendeu um sem-terra e quatro sem-terra estiveram no Instituto Médico Legal para ser submetidos a exame de corpo de delito. A coordenação do MST fez uma denúncia formal das agressões ao Comando-Geral da PM.
O delegado do ministério, Osvaldo Santos Silva, disse que um dos feridos e que apresentou maior sangramento, Valdecir Padilha, 28, teria se machucado acidentalmente, quando os sem-terra baixavam a porta principal do prédio, como prevenção à chegada da polícia. Lúcio Kuhnen, coordenador do MST, disse que Padilha recebeu golpes de cassetete na cabeça. Cerca de 30 policiais do Batalhão de Choque e da Rádio-Patrulha participaram do confronto.
A invasão do prédio fazia parte da programação nacional de protesto contra os ministérios da Fazenda e do Planejamento, por maior teto de financiamento para os assentamentos rurais.

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