Confronto com CGM deixou até quem não é perueiro machucado
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2000
Por Ivana Moreira 
São Paulo, 01 (AE) - No confronto com a Guarda Civil Metropolitana, hoje pela manhã, até quem não era perueiro irregular acabou apanhando. Cobradores, supervisores de linha e até a repórter de uma emissora de TV foram atingidos. "Foi uma tremenda covardia", reclamou o cobrador Miguel Domingues Castilho, de 47 anos. O aposentado, que faz "bico" num lotação para aumentar a renda, estava perto de um estacionamento quando foi informado de que a perua na qual trabalha havia sido apreendida. "Fui até lá para procurar o motorista e saber se era verdade e acabei apanhando".
Castilho recebeu golpes de cassetete na perna direita e foi ferido seriamente. No Pronto-Socorro de Santana, onde foi atendido, recebeu pontos internos no corte. "Eles já chegaram batendo", contou Wilson Roberto Silva, de 42 anos. Nervoso e chorando, o perueiro reclamava das férias forçadas que terá nos próximos 15 dias. Ele sofreu uma fratura no antebraço, que terá de ficar imobilizado. "Quero saber quem é que vai dar comida para minha família nesse tempo", disse. "Não sou bandido para ser tratado assim".
O fiscal de lotação Flávio, que preferiu não informar o sobrenome, sofreu luxação no braço e estava indignado. "Sou fiscal de uma linha legalizada, a Jardim Barro Branco-Santana", explicou. "Apanhei sem saber por quê". Ele aguardava havia pelo menos três horas para registrar ocorrência em delegacia por lesão corporal. "Acho que não vai dar em nada, mas é meu dever registrar queixa". Nenhum dos feridos achava que poderia reconhecer o guarda que o atingiu. "Na confusão, não dá para reparar na cara do sujeito", justificou Castilho. Sem controle - Revoltados com a violência da "abordagem" da Guarda Civil Metropolitana, muitos perueiros da região de Santana queriam revidar a violência. "Os nervos estão à flor da pele", lamentava Osmar Figueiredo, um dos perueiros que tentava pacificar o grupo. "Tem perueiro de todo tipo e é difícil convencer todo mundo", explicou. "Muitos dos que estão aqui não conseguem nem pagar a prestação do carro".


