Confronto causa adiamento de negociações
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por CRISTINA CHARÃO 
São Paulo, 13 (AE) - A primeira reunião de negociação salarial entre os sindicatos dos professores e funcionários das três universidades estaduais de São Paulo e os reitores, marcada para hoje (13), foi adiada, sem previsão de nova data para realização. A suspensão do encontro foi provocada pelo confronto entre a polícia e os manifestantes que estavam do lado de fora da Secretaria de Ciência e Tecnologia. O tumulto começou quando o carro de som do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) foi impedido de entrar no pátio da secretaria. Dois estudantes e dois sindicalistas foram presos e um policial saiu ferido com um corte no rosto.
Por volta das 16h30, o carro de som parou na frente do portão da secretaria. Policiais militares cercaram a perua e deram voz de prisão ao motorista, enquanto os manifestantes tentavam fazer um cordão de isolamento ao redor do carro. Quando o major da Polícia Militar José Everardo, que comandava a ação, pediu que os manifestantes desligassem o som, o tumulto começou.
O major arrancou o microfone de um sindicalista e, no meio do tumulto, os policiais atiraram uma bomba de gás lacrimogêneo. Bombas de efeito moral também foram usadas para afastar os manifestantes. "O secretário disse, por telefone, que não queria ninguém aqui dentro da secretaria", afirmou o major Everardo.
O diretor da Associação dos Docentes da USP, Flavio Finardi, disse que a ação foi decidida pelo major, que se sentiu ofendido pela reação dos manifestantes.
O secretário José Aníbal Teixeira confirmou o pedido de que o carro de som fosse mantido longe do prédio. "A polícia agiu corretamente", disse. "Os panfletos e as atitudes não eram de quem veio negociar. "O dois estudantes da USP foram presos durante o tumulto. A diretora do Sintusp, Nely Wada, foi retirada de dentro do prédio da secretaria, depois que a confusão tinha sido controlada. Outro diretor do sindicato, Magno de Carvalho, também foi levado para a 77.ª Delegacia de Polícia. Os manifestantes foram embora somente após as 20h30.
Os servidores e docentes reivindicam 25% de aumento salarial imediato e mais 7% no segundo semestre. Mesmo sem iniciar as negociações, a reitoria da USP publicou em um boletim a proposta de 7% de reajuste mais 3% de abono. O coordenador do fórum das seis entidades sindicais, Antônio Luís de Andrade, disse que a disposição para uma greve aumentou.
Cinquenta alunos de graduação e pós da Unicamp continuam acampados na pró-reitoria de Desenvolvimento Universitário desde às 12h20 de hoje. Eles reivindicam reabertura do restaurante Universitário I, mudanças na bolsa de trabalho, não adoção do mestrado profissional pago, além da construção de um teatro. (Colaborou Lilian Santos)


