Conflitos marcam passagem de sociólogo pela Secretaria de Segurança
Conflitos marcam passagem de sociólogo pela Secretaria de Segurança17/Mar, 18:48 Por Clarissa Thomé Rio, 17 (AE) - A passagem do sociólogo Luiz Eduardo Soares pela Secretaria Estadual de Segurança, como coordenador de Segurança e Cidadania, foi marcada por polêmicas. Nos primeiros meses de governo, Soares desconfiou que estivesse sofrendo escuta telefônica por agentes do Centro de Inteligência de Segurança Pública (Cisp). O então secretário de Segurança, general José Siqueira, criticou o sociólogo e o acusou de defender extinção do órgão. Soares insistiu em uma "reformulação" do Cisp. Em telefonema, o general foi demitido pelo governador Anthony Garotinho. Em seguida, o então analista de informações do centro, coronel Marcos Paes - acusado de envolvimento com a "banda podre" da polícia -, foi exonerado. O primeiro embate com o atual secretário de Segurança, Josias Quintal, ocorreu em meados do ano passado, quando um delegado do interior do Estado foi preso sob acusação de tortura. Soares acusou Quintal de ter pulso fraco. No início desse ano, o coordenador anunciou o programa do Batalhão Comunitário. A idéia do sociólogo era disputar os jovens de favelas com o tráfico e levá-los para a Polícia Militar. Os rapazes trabalhariam nas favelas em que moram. Quintal considerou o projeto um absurdo. Depois Quintal apoiou a atitude de policiais militares que agrediram um casal na praia porque a mulher fazia topless, enquanto Soares condenou a ação. Em fevereiro, policiais acusaram "mercenários angolanos" de participar do tráfico de drogas na Favela da Maré. O sociólogo pediu desculpas à colônia angolana, contrariando a opinião do secretário, que culpou a imprensa pela divulgação das acusações. A crise mais grave ocorreu há poucas semanas, quando Soares elogiou a atitude do documentarista João Moreira Salles, que enviava dinheiro ao traficante Marcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP. Ele foi criticado por Quintal e por Garotinho. As acusações de Soares à imprensa de que havia integrantes da chamada banda podre da Polícia Civil em cargos de chefia na corporação levaram à sua saída. O governador Anthony Garotinho tem optado por formas pouco ortodoxas de demitir seus subordinados. O primeiro foi o ex-secretário de Segurança, general José Siqueira, que soube de sua exoneração por telefone. Em outubro, durante crise com setores do PT, Garotinho anunciou em entrevista à rádio CBN que o secretário de Transporte, Raul de Bonis, deixaria seu governo, antes mesmo de comunicá-lo da decisão. Dessa vez, o sociólogo Luiz Eduardo Soares foi demitido ao vivo, no RJ-TV, da Rede Globo.





