Conflitos marcam 1º dia de paralisação
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quinta-feira, 06 de outubro de 2005
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Segundo a Confederação Nacional dos Bancários (CNB, ligada à Central Única dos Trabalhadores - CUT), no primeiro dia de greve, houve tumulto em agências de São Paulo, Assis (SP), Araraquara (SP), Belo Horizonte (MG), Vitória da Conquista (BA) e Londrina (PR).
Em Londrina, a confusão foi na agência do Bradesco da Praça Willie Davis (Área Central) e começou com um cliente irritado com a paralisação. Somente os caixas eletrônicos estavam funcionando. A Polícia Militar (PM) foi chamada, mas ao chegar o tumulto havia acabado. Os policiais, então, permaneceram no banco para garantir a entrada dos funcionários que queriam trabalhar.
O comando de greve decidiu em assembléia que apenas as agências do Bradesco iniciariam o movimento parcialmente, sendo que os caixas eletrônicos iriam funcionar. O Bradesco tem cerca de 250 funcionários. O número total de bancários na cidade é de cerca de 1.400, que trabalham em 64 agências.
Durante a manhã, na agência da Praça Willie Davis havia muita fila e, por volta das 12h30, os clientes aposentados foram orientados pela gerência a receber o pagamento nos Correios.
Ainda pela manhã, funcionários da agência se concentraram na Concha Acústica. O Sindicato dos Bancários afirmou que os trabalhadores teriam sido pressionados, através do celular, para que não fossem embora e que a entrada no banco seria garantida.
Houve bate-boca entre sindicalistas que faziam piquete na agência, policiais militares e funcionários que queriam entrar. No final da manhã, um grupo de bancários tentou entrar pelo estacionamento.
Sindicalistas se colocaram na frente de uma porta de vidro, enquanto dois seguranças chamavam o grupo para entrar. Dois policiais também tentaram garantir o acesso ao banco, usando de força para fazer com que os sindicalistas liberassem a porta de entrada à agência.
Na confusão pelo menos três funcionários conseguiram furar o bloqueio. Em seguida, a PM deixou o banco. ''Agora ficou tudo bem. Quem conseguiu entrar, conseguiu'', disse o sargento Alexandre Júnior Alves, que comandou a operação.
O primeiro dia de greve começou com a expectativa do Sindicato dos Bancários em não entrar em atrito com os trabalhadores e aposentados, que ontem recebiam o pagamento.
Porém, algumas pessoas se irritaram, como o cliente da agência do Bradesco na Praça Willie Davis, que chegou a rasgar alguns cartazes com frases de protestos da categoria.
O Bradesco tem 10 agências na cidade e, de acordo com o sindicato, no início do expediente bancário, somente a da Avenida 10 de Dezembro funcionou normalmente. Nas demais, a paralisação suspendeu o atendimento direto aos clientes, que recorreram aos caixas eletrônicos para efetuarem pagamentos de contas, depósitos e saques.
A estratégia do começar a greve pelo Bradesco, mantendo os caixas eletrônicos em funcionamento, teve o objetivo de forçar o presidente da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), Márcio Cipriano, que também é presidente do Bradesco, a encaminhar o atendimento das reivindicações da categoria, que pede um reajuste de 11,77%. A Fenaban acenou com 4%, índice rejeitado pelos bancários.
Onze itens constam da pauta de reivindicações, entre os quais a elevação dos pisos salariais e a abertura das agências das 9 às 17 horas, com dois turnos de trabalho.


