Aquelas águas escuras, que nascem cristalinas nos Andes, transportam sedimentos ricos em nutrientes e dão ao conjunto de rios amazônicos a condição de serem os de maior piscosidade, ou seja, que atraem o interesse dos pescadores, do Planeta. É o caso, entre outros, dos rios Madeira e Amazonas. No Século 21, prevêem os especialistas, o grande conflito mundial será pelo domínio das fontes de água potável. E a Bacia Amazônica é um dos principais pontos desse conflito. Na virada dos milênios continua o crescimento desordenado da população humana, que exige cada vez mais recursos da natureza e continua poluindo e ameaçando um insumo básico de sua vida, a água.
Fora da região amazônica, ainda protegida por sua floresta – também ameaçada de extinção – quase não existem mais matas ciliares. No Paraná, por exemplo, diversos programas destinados à reposição dessas matas que ‘‘bordam’’ os rios e fontes fracassaram por desinteresse de proprietários rurais que preferiam ter nas águas correntes um escoamento fácil dos resíduos de agrotóxicos, de vasilhames vazios e também o ‘‘direito’’ de plantar suas lavouras até quase dentro dos rios.
Esses fatores, mais a irrigação, sem levar em conta o suporte das fontes de água, são a ‘‘contribuição’’ da agricultura à condenação das fontes em todo o mundo, conforme têm notado cientistas e outros estudiosos. Mas, há situações curiosas: águas barrentas nem sempre são indício de risco para o ambiente: rios de águas barrentas, como o Madeira e o Amazonas, diz o Ministério do Meio Ambiente, têm essa cor devido aos sedimentos, ricos em nutrientes, carregados desde as montanhas andinas.
No entanto, naquelas águas translúcidas da nascente já foram descobertos resíduos de metais pesados expelidos pelas indústrias alemãs e de outros países europeus. Mas, é pelos nutrientes que aqueles rios apresentam maior produtividade. Isto na Amazônia. Mais para o Sul a situação é diferente.
Nas bacias hidrográficas fora da Amazônia, a poluição orgânica e inorgânica (efluentes industriais e agrotóxicos) e a eliminação da mata ciliar aumentam a degradação da qualidade da água de grandes extensões dos principais afluentes do Rio Paraná, entre outros, ‘‘tornando-a imprópria para uso do homem e para a vida’’. Alguns dos tributários do Paraná são o Tietê (SP), o Paranapanema (SP/PR), o Tibagi (PR), o Ivaí (PR), o Piquiri (PR), o Iguaçu (PR), o Verde (MS), o Ivinhema (MS) e o Paraguai (MT/MS/e alguns outros países banhados pela Bacia do Prata). O Paraná sofre de uma enfermidade grave, causada pela agricultura mal conduzida: a erosão que já ameaça assorear, até inviabilizar, as atividades da hidrelétrica de Itaipu, além de já ter reduzido o canal navegável do rio.
Maior A Bacia Amazônica, formada por 13 grandes rios (Amazonas, Solimões, Negro, Xingu, Tapajós, Jurema, Madeira, Purus, Branco, Juruá, Trombetas, Uatumã e Mamoré), é a maior bacia hidrográfica do mundo, com uma drenagem de 5,8 milhões de quilômetros, dos quais 3,9 milhões no Brasil. As nascentes de seus formadores encontram-se na Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia. No Brasil, abrange os Estados do Amazonas, Pará, Amapá, Acre, Roraima, Rondônia e Mato Grosso. Como é atravessado pela linha do Equador, o Rio Amazonas tem afluentes nos dois hemisférios do Planeta. Com 6,5 mil quilômetros de extensão, o Amazonas é responsável por 20% da água doce despejada anualmente nos oceanos por todos os rios do mundo; tem largura média de quatro a cinco quilômetros e chega em alguns trechos a mais de 50 quilômetros.

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