Ahmedabad - Os enfrentamentos inter-religiosos da semana passada, cujo balanço chega a quase 550 mortos, colocaram em questão a unidade política e social do país, estimam os observadores.
Efetivos do exército estão mobilizados desde sexta-feira nas localidades de Gujarat, onde se produziram rebeliões, a partir do momento em que foi evidente a falta de vontade e capacidade da polícia para impedir o banho de sangue.
‘‘O Estado se encarrega da segurança de cada cidadão, seja qual for sua religião e a comunidade a qual pertence’’, destacou domingo o ministro do Interior, L. K. Advani, durante um giro de inspeção em Gujarat.
Mas numerosos são os observadores que agora pensam que os distintos poderes públicos, tanto de Gujarat como de Nova Délhi, foram incapazes de assumir esta responsabilidade.
‘‘A semana passada foi um dos períodos mais violentos que o país já enfrentou, durante o qual a Índia não teve capacidade de preservar um de seus bens mais preciosos: sua unidade, que repousa na harmonia entre as comunidades’’, destaca o editorial do Indian Express.
Segundo os responsáveis da polícia de Ahmedabad, a capital econômica de Gujarat, 486 pessoas morreram em toda a província durante as rebeliões que seguiram ao incêndio, quarta-feira passada, de um trem que levava extremistas hindus, que deixou 58 mortos. A maioria das vítimas é, ao que parece, muçulmana.
Se essa onda de violência em grande medida foi restrita a Gujarat, suas consequências irão longe. É por isso que o primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee admitiu que se tratava de uma ‘‘vergonha’’ nacional que manchou a imagem de toda nação.
Os passageiros que morreram no incêndio do trem que voltava de Ayodhya, onde os extremistas hindus haviam decidido lançar a construção de um templo, a partir de 15 de março, sobre as ruínas de uma mesquita do século XVI destruída em dezembro de 1992 por fanáticos hindus.

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