Agência Estado
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Sem acordoA passeata chegou à Praça da Liberdade com 3 mil pessoas. Tentativa de invasão ao Copom deflagrou o conflito Uma passeata realizada ontem em Belo Horizonte por milhares de policiais militares e civis, que há duas semanas reivindicam melhores salários, terminou em confronto na região da Praça da Liberdade, zona sul, onde ficam as sedes do governo mineiro, do Comando da PM (Copom) e da Secretaria de Segurança Pública. Por volta das 15h45, os manifestantes, que caminhavam desde a zona oeste da cidade, foram impedidos de se aproximar dos prédios públicos por um cordão de isolamento, formado por cerca de três mil policiais fortemente armados. Decidiram furar o bloqueio e a violência começou, com disparos de ambos os lados, pancadaria e quebradeira. O cabo Valério Santos, de 33 anos, do Batalhão de Choque da PM, foi atingido gravemente com um tiro na cabeça e vários outros policiais tiveram ferimentos leves.
A confusão começou a se desenhar pela manhã. Cerca de quatro mil cabos, soldados e sargentos da Polícia Militar mineira, inclusive de batalhões do interior, reuniram-se em assembléia no clube da categoria, no bairro Nova Gameleira, zona oeste da capital. Eles discutiam se aceitavam ou não um abono individual de R$ 102,00 para os praças, anunciado no último sábado pelo governador Eduardo Azeredo (PSDB), e outras propostas da cúpula da corporação, como modificações no regimento interno da PM, considerado excessivamente rigoroso, e financiamento habitacional para a categoria.
Os policiais, que reivindicavam 100% de reajuste nos soldos, concordaram com todos os pontos, menos com o índice de correção dos vencimentos. Com o percentual apresentado, o salário inicial de um soldado passará de R$ 415,00, segundo o governo mineiro, para R$ 517,00. ‘‘Queremos piso de R$ 800,00’’, disse o líder do movimento e cabo, Júlio César Gomes. Como os manifestantes não aprovaram a proposta, votaram por fazer a passeata pela cidade até a Praça da Liberdade.
No trajeto, sob chuva de papel picado e manifestações de apoio da população, a marcha foi engrossada por cerca de 700 policiais civis e carcereiros que mais cedo haviam se reunido no sindicato da categoria, na zona norte - discutindo abono de apenas R$ 45,00 oferecido a todo o funcionalismo estadual também pelo governo, no fim de semana. O grupo parou na Praça Sete, região central de Belo Horizonte, e os organizadores da passeata tentaram demover os manifestantes de seguir à Praça da Liberdade. Eles já tinham a informação de que um forte aparato policial fora montado e que poderia haver confronto aguardava.
Quando a passeata chegou à Praça, com mais de três mil pessoas, mais uma vez os organizadores do protesto, sobre um carro de som, tentaram acalmar os ânimos, mas não tiveram sucesso.
O corre-corre teve início e pelo menos cinco disparos foram ouvidos. Os manifestantes conseguiram chegar ao prédio do Copom e tentaram invadir o local, sendo barrados por dezenas de homens da tropa de choque da PM. Vidros foram quebrados e muita gente ficou ferida. Na porta lateral do prédio, o cabo Valério Santos foi alvejado na testa. Ele foi levado em estado gravíssimo para o Pronto Socorro do Hospital João XXIII, no centro. Até o final da tarde, passara por duas tomografias computadorizadas e ainda corria sério risco de vida, segundo os médicos.

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