Conflito durou um ano
e matou 25 mil pessoas
O motivo aparente para a guerra dos conselheiristas com os republicanos, segundo o historiador da Uneb, Manoel Antônio dos Santos Neto, foi um episódio bobo: a compra de madeira, em Juazeiro, para a construção de uma nova igreja. Conselheiro encomendou o madeirame da igreja a um comerciante e pagou adiantado por ele. Como o comerciante não entregava o material, ele mandou um recado dizendo que iria buscar a madeira. Se não fosse entregue, queimaria a cidade.
Arlindo Leone, juiz de Juazeiro, avisou o governador, que mandou uma expedição militar, em novembro de 1896, interceptar os cerca de 500 conselheiristas que iam em procissão buscar o material. Cerca de 150 soldados entraram em confronto com os conselheiristas. Dez soldados morreram contra 150 rebeldes. O exército bateu em retirada. Uma segunda expedição (janeiro de 1897) foi enviada. Desta vez eram 622 soldados, com dois canhões e quatro metralhadoras. Saldo do confronto: dez soldados mortos e mais de trezentos conselheiristas.
De novo, o exército fugiu para não ser massacrado. A terceira expedição (março de 1897), com 1.464 homens, foi comandada pelo violento coronel Moreira César (apelidado de Corta Cabeças por degolar seus inimigos). Depois de bombardear Canudos com tiros de canhão, e quase tomar a cidade, Moreira César vai ao front, é baleado e morre. Seu sucessor no palco da guerra, o coronel Pedro Nunes Tamarindo, ordena a retirada. Tamarindo também é morto.
O presidente Prudente de Morais manda, então, no dia 25 de junho de 1897, três generais, seis brigadas e 10 mil soldados para derrotar os jagunços liderados por Antônio Conselheiro e destruir, literalmente, Canudos. Desta vez o ataque teve êxito.
Os números não são consensuais entre os historiadores, mas estima-se que morreram no conflito cerca de 25 mil pessoas, sendo cinco mil militares. Antônio Conselheiro morreu dia 22 de setembro, de diarréia. A Guerra de Canudos terminou dia 5 de outubro de 1897. Os jagunços que se entregaram foram degolados, as mulheres estupradas e Canudos queimada pelo exército.

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