Foz do Iguaçu - Uma balsa inacabada motivou o confronto entre cerca de 150 policiais federais e 1,5 mil moradores em Capanema (Sudoeste), no desfecho da desocupação da Estrada do Colono, caminho que corta o Parque Nacional do Iguaçu. Policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha disparadas na multidão que revidou atirando pedras e paus. Seis manifestantes foram hospitalizados e cinco agentes ficaram feridos.
A desocupação do caminho começou pacífica. Os invasores saíram do interior da reserva florestal dentro do prazo determinado pela Polícia Federal (meio-dia de quarta-feira). A Justiça Federal de Foz do Iguaçu havia determinado a destruição da balsa mas políticos tentaram reverter a ordem no Tribunal Regional Federal, da 4 Região.
O conflito entre policiais e moradores que se recusavam a entregar a balsa começou perto da meia-noite. A polícia teria tentado isolar a área onde estava a embarcação, mas o grupo de 20 moradores reagiu. O tumulto se alastrou. Durante quase uma hora, policiais atiraram (alguns deles de um helicóptero) balas e bombas de efeito moral nos manifestantes com objetivo de dissolver a resistência, enquanto moradores jogaram pedras e paus nos agentes. Quatro viaturas tiveram vidros quebrados.
''Houve muita correria. Os helicópteros, uns dois, faziam vôos rasantes. Parecia cena de guerra'', afirmou Benito Locatelli, diretor do jornal ''O Trombeta''. Segundo o gerente de enfermagem do Hospital Sudoeste, Lindomar Cardonha, seis manifestantes deram foram atendidos, cinco por ferimentos leves provocados por balas de borracha e pedradas. ''Um adulto levou um tiro de bala de verdade na perna esquerda'', disse Cardonha à Folha.
A reportagem tentou contato com o comandante da operação, delegado Antônio Borges Filho, mas seu telefone celular estava fora de área. Ele disse a imprensa de Capanema que cinco agentes sofreram escoriações leves por pedradas. Conforme Marcos Koren, assessor de imprensa da PF em Foz, apesar do impasse judicial quanto a destruição da balsa, havia a ordem para apreendê-la. Mas a população viu ''a necessidade de manter a embarcação como monumento à causa'', disse.
Ontem pela manhã, a PF recebeu reforço de mais cerca de 100 policiais, o que intimidou nova mobilização dos manifestantes. Dois homens pessoas foram presos, um por ofender o efetivo e outro por ser apontado como um dos que atiraram pedras na polícia. Com o fim do bloqueio, a balsa foi transportada em uma carreta para Foz do Iguaçu.
A Estrada do Colono encurta em 120 quilômetros a distância entre Serranópolis do Iguaçu (Oeste) e Capanema (Sudoeste). A balsa completa o percurso entre as duas regiões através do Rio do Iguaçu. O caminho no meio da mata, fechado em junho de 2001, foi reaberto ilegalmente no último dia 3, e desocupado por nova ordem judicial, no dia 8.

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