O crescimento do número de assentamentos de sem-terra reduziu a violência no campo, apesar de não ter encerrado os conflitos entre fazendeiros e trabalhadores rurais. Segundo relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o que mudou foram as frentes de batalha: a luta pela terra no País está centralizada nos tribunais.
Segundo o documento, de 1988 até o final de 1997, a destruição de casas cresceu 157%, o despejo jurídico aumentou 85% e a destruição de roças, 23%. As expulsões diminuíram 7% e as ameaças de expulsão sofreram redução de 10%, segundo o relatório. Os indicadores de violência contra a pessoa também caíram: as ameaças de morte, 4,5%; assassinatos, 5%; tentativas de assassinato, 7%; agressões físicas, 25%, e tortura, 45% no mesmo período. Apenas as lesões corporais e as prisões tiveram crescimento, a última qualificada de ‘‘violência legítima’’, de 7,5% e 7%, respectivamente.
Na prática, isso significa um índice geral de violência no campo de 15%, no período entre 1988 e 1997. ‘‘A justiça tornou-se uma forte aliada do grande proprietário’’, afirmou o secretário executivo da CPT, Antônio Canuto. Na sua opinião, enquanto os fazendeiros ‘‘não têm problemas’’ para acionar a Justiça, os trabalhadores sem-terra continuam desassistidos. ‘‘O estado de beligerância não caiu’’, afirmou. ‘‘A questão agrária está mudando o eixo da violência, que está mais atrelada à Justiça’’, comentou o professor Wilson Barp, titular da Universidade de Campinas (Unicamp).
Nem mesmo o indicador de queda da violência no campo anima o secretário executivo da CPT. Para Antônio Canuto, o governo federal ainda não criou uma política fundiária que democratize o acesso à terra no Brasil.

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