Três posseiros morreram, às 9 horas da manhã de terça-feira, durante tiroteio com jagunços da Fazenda Santa Clara, localizada a cerca de 2 km de Ourilândia do Norte, 1.027 km ao norte de Belém do Pará. Os corpos das vítimas, sem identificação, foram levados ontem para o necrotério do Hospital Público do Estado. O clima é tenso na área.
Segundo o prefeito de Ourilândia, Romildo Velozo, há a informação extra-oficial de que mais dois sem-terra foram mortos, mas as buscas da polícia foram suspensas devido à forte chuva que cai na região. Na cidade falava-se ontem que há seis desaparecidos. Velozo disse que o conflito vem ocorrendo há 12 dias.
O proprietário da Santa Clara, Edvair Vilela Queiróz, que mora em Barretos (SP), também confirmou as três mortes. Ele disse que já havia comunicado à Secretaria de Segurança do Pará a possibilidade de um conflito na região. O fazendeiro assegurou que a fazenda havia sido invadida por cerca de 20 posseiros, que estavam ameaçando ocupar inclusive sua sede.
Quarta-feira à noite, o ministro da Justiça, Nelson Jobim, determinou que uma equipe da Polícia Federal de Marabá, chefiada pelo delegado Adolgo Machado, seguisse para Ourilândia para acompanhar as investigações. Jobim poderia seguir ontem para Belém, junto com o diretor geral da PF, Vicente Chelotti e o chefe de gabinete do Ministério da Justiça, José Gregori. A Câmara dos Deputados também enviou ontem uma comissão de Brasília para a cidade paraense.


Chuvas intensas
estão dificultando
o acesso da polícia
para a investigação


Um grupo de deputados ligados à Comissão de Direitos Humanos da Câmara havia solicitado a Jobim que o caso passasse para alçada da Polícia Federal. ‘‘A polícia do Pará é falida moralmente para dirigir um inquérito desta natureza, já que até agora não resolveu o massacre de Eldorado do Carajás’’, justificou o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Segundo ele, no conflito não há nenhum envolvimento de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
Greenhalgh disse que os posseiros estavam na fazenda há pelo menos um ano. A informação foi negada pelo deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA), proprietário de terras na região e primo de Edvair. ‘‘Este pessoal invadiu a Santa Clara agora, depois de ter ocupado a Fazenda Campos Altos e vendido as terras para outras pessoas’’, disse o deputado, assegurando que ‘‘os posseiros são invasores profissionais’’.
Giovanni Queiroz confirmou que seu primo havia contratado entre cinco e seis pessoas para trabalhar como seguranças da Santa Clara, onde estariam entre 30 a 50 posseiros. ‘‘Você tem de defender sua propriedade para não perdê-la’’, disse, assegurando que também faria o mesmo. ‘‘Se invadirem minha fazenda, também vou defendê-la’’, afirmou. O deputado possui área em Rio Maria, região onde nos últimos anos foram registrados os maiores conflitos de terra no Sul do Pará. (Colaborou Edson Luiz)

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